2016: Os desafios para o BCSD num contexto internacional
17 Fev 2016

O Acordo de Paris… Que implicações tem para os investimentos em combustíveis fósseis? Diminui o risco dos investimentos em renováveis? Melhora o contexto de financiamento? Que políticas públicas vamos ter? Como vai o poder local incorporar o Acordo de Paris? E as empresas? Estas foram algumas questões que Sofia Santos, secretária geral do BCSD, colocou num evento exclusivo para membros.

Bem sei que são perguntas difíceis, mas temos que as analisar para tentar encontrar soluções. Na minha opinião é o valor financeiro que marca a diferença. Teremos então de definir o horizonte temporal do valor financeiro a criar, se é imediato, dentro de cinco anos ou daqui a 10 anos”, alertou Sofia Santos. Porque o lucro não se traduz necessariamente em criação de valor, a secretária geral do BCSD defendeu que as empresas precisam de repensar a criação de valor e o valor do retorno financeiro. “As estratégias empresariais assentes em sustentabilidade atingem retornos superiores a cinco anos”, afirmou Sofia Santos.

Desta reflexão emergem os fundos socialmente responsáveis – fundos que promovem o desenvolvimento responsável – que apostam no financiamento de projetos com objetivos de rentabilidade no âmbito da economia de baixo carbono, florestas sustentáveis ou outros temas relacionados com a sustentabilidade. Segundo a 2014 Global Sustainable Investment Review, os fundos socialmente responsáveis cresceram 61% em todo o mundo, sendo que o crescimento na Europa foi de 55%, nos EUA de 76% e na Ásia de 32%.

Além da ascensão global dos fundos socialmente responsáveis, Sofia Santos, identificou outros fatores que, em 2015, contribuíram para motivar o caminho da sustentabilidade: a encíclica papal, a educação para o desenvolvimento sustentável da UNESCO e os objetivos do desenvolvimento sustentável.

A encíclica papal reforça que o ambiente é um bem comum e, como tal, somos todos chamados a cuidar dele. No documento, o Papa Francisco apela a uma solidariedade universal sem deixar nenhum público de lado, com especial ênfase para a educação das novas gerações. A educação é, sem dúvida, uma ferramenta poderosíssima do desenvolvimento sustentável. Alinhada com a encíclica papal, duas das conclusões do Roadmap for Implementing the Global Action Programme on Education for Sustainable Development da UNESCO é que crianças, adolescentes e jovens têm de ser chamados a intervir nas discussões sobre o futuro e que a sustentabilidade tem de deixar de ser abordada de forma lateral nas Universidades.

O foco na educação sobressai igualmente nos objetivos do desenvolvimento sustentável (ODS), outro marco importante de 2015 que as empresas também vão ter que incorporar nas suas estratégias. Na prática, as empresas já contribuem para os 17 ODS, no entanto, falta perceber de que forma devem adaptar as suas ações às metas estabelecidas pelo ODS.

Sofia Santos referiu também que “é urgente definir o valor económico dos serviços dos ecossistemas impactados pelas atividades das empresas e o valor económico dos ativos e passivos ambientais – o que pensávamos que não ia acontecer, vai passar a ser lei”. Sendo Portugal um dos países europeus com mais ativos naturais – a base de grandes setores de atividade económica – é crucial proteger o valor da biodiversidade.

Temos todos os indícios e toda a informação para orientar as nossas estratégias no longo prazo. Financiar o desenvolvimento sustentável e uma economia de baixo carbono implica uma evolução dos modelos de negócio. O desafio que temos para 2016 é caminhar para um novo modelo económico de baixo carbono, que proteja o valor da biodiversidade”, defendeu Sofia Santos.

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