A importância da aplicação do Acordo de Paris
3 Nov 2016

A aplicação do Acordo de Paris implica uma mudança de modelo económico e, por conseguinte, uma mudança na forma como os países crescem. A entrada em vigor do Acordo de Paris implica que os países que ratificaram o acordo (entre eles Portugal, EUA, China e Índia) querem e vão caminhar para uma economia neutra (net zero) em carbono na segunda metade do século, e isto implica mudar muita coisa. Para que isso aconteça as economias terão de, por um lado, ser mais eficientes na forma como usam a energia e, por outro, deverão apostar na floresta e agricultura também como sumidouros de carbono. Neste contexto as empresas terão de acelerar os processos de inovação de forma a conseguirem criar produtos, processos e materiais que originem menores emissões de CO2 do que os atuais.

O Acordo de Paris não deve ser visto como uma restrição ao crescimento, mas sim como um novo enquadramento que permite o surgimento de uma economia verde e capaz de gerar emprego. Não devemos esquecer que de acordo com a Comissão Europeia será possível criar 20 milhões de postos de trabalho verdes na Europa até 2020. O próprio plano Juncker reconhece que uma completa implementação do Acordo de Paris implicará um investimento de 12 mil milhões de euros em eficiência energética e em tecnologias de baixo carbono entre 2015 e 2030, chamando a atenção para a necessidade de alinhar o sistema financeiro com o desenvolvimento sustentável.

Os desafios para as empresas são diversos. Daqui para a frente, a comunidade empresarial terá de:

• Ter uma visão para 2050 e incorporar o futuro nas decisões do presente
• Gerir as incertezas subjacentes a horizontes temporais de 2030 e 2050
• Mudar a sua estratégia de negócio assente na venda de produtos para a venda de serviços
• Ter equipas transdisciplinares e capazes de compreender as relações entre temas usualmente separados
• Investimento inicial em inovação
• Capacitação dos colaboradores para a consciencialização de que a mudança irá ocorrer após 2050, mas que o trabalho tem de acontecer já hoje
• Ter o sistema financeiro alinhado com os objetivos de descarbonização
• Ter uma política fiscal que promova a descarbonização e que permita a existência de um período de transição entre a economia atual e a economia descarbonizada

Porém, o maior desafio para a sociedade é a educação. Este novo contexto requer que os temas do desenvolvimento sustentável e da economia verde sejam incorporados de forma coerente no ensino desde os primeiros anos de aprendizagem. Desenvolvimento sustentável, economia verde, economia circular e descarbonização não são temas meramente ambientais. São acima de tudo temas de geoestratégica, economia e gestão empresarial.

Sofia Santos

Secretária geral do BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável

 

 

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