A nova ISO 14001:2015 – o que muda?
21 Out 2015

Gestão ambiental estratégica, desempenho ambiental, pensamento baseado no ciclo de vida, liderança, riscos e oportunidades e comunicação são as seis principais alterações da nova ISO 14001, publicada em Setembro de 2015. A ISO 14001 – norma da International Organization for Standardization (ISO) que estabelece os requisitos para um sistema de gestão ambiental – é uma das normas mais usadas em todo o mundo, uma ferramenta chave de gestão e um requisito de mercado para muitas organizações.

A gestão ambiental ganha então maior destaque no planeamento estratégico da organização. A melhoria contínua do sistema de gestão ambiental dá lugar à melhoria do desempenho ambiental, enquanto conceito mais abrangente e mais estratégico. A nova norma não exige uma análise de ciclo de vida formal, exige sim, que as organizações analisem cada uma das etapas que pode estar sob seu controlo ou influência, para depois definir quais as etapas a excluir.

Em termos de liderança, a figura de “representante da gestão” foi eliminada para que a gestão de topo demonstre que está envolvida e comprometida com as ações-chave do sistema de gestão ambiental. Na nova versão da norma, as organizações devem implementar ações para tratar quaisquer riscos e oportunidades com impacto, seja positivo ou negativo, nos resultados do sistema de gestão ambiental. A comunicação com as partes interessadas surge como fundamental, com a ressalva de que deve ser transparente, consistente e fiável e responder às seguintes perguntas: o quê, quando, com quem e como?

O período de transição, em que coexistem as duas normas, a de 2004 e a de 2015, é para os próximos três anos, altura em que as auditorias serão realizadas de acordo com a versão solicitada pela organização. A partir de 15 de Setembro de 2018, passa a vigorar exclusivamente a norma publicada em 2015. Maria Segurado, gestora de comunicação da APCER foi uma das oradoras do evento “Gestão Ambiental Estratégica: perspetivas das empresas sobre a nova ISO 14001”, onde apresentou a nova versão da norma.

A perspetiva das empresas

A EDP certificou o primeiro local em 2000 e hoje conta com cerca de 500 instalações certificadas nos vários negócios de Portugal, Espanha e Brasil. A certificação começou por ser uma forma de criar conhecimento interno e, em 2008, passou a ser um mecanismo para posicionar a gestão ambiental ao nível estratégico, junto da gestão de topo. Hoje é um pilar na gestão, porque garante uma sistematização de análise de problemas e consequente resolução. António Neves de Carvalho, diretor de sustentabilidade e ambiente da EDP, defendeu que a nova norma “é uma oportunidade para aumentar a capacidade de gestão e coordenação das cerca de 500 certificações, dando assim uma visão mais coesa à holding EDP de como as empresas se devem preparar e responder aos vários temas ambientais”.

Na ANA Aeroportos de Portugal, a gestão ambiental é mais uma parcela que integra o sistema de gestão integrado. Passou a ser um tema de interesse há cerca de 15 anos e, em 2007, a gestão de topo definiu-a como estratégica. Em 2008, a empresa recebeu a certificação integrada. Hoje em dia contribui muito para a mudança de comportamento dos colaboradores, que por via da integração dos princípios ambientais, se tornam cidadãos mais sensibilizados. “Os departamentos financeiro e de auditoria estão totalmente envolvidos na análise de risco do negócio, mas o que falta agora é analisar também as oportunidades. As alterações climáticas, por exemplo, é um dos temas a incluir na nova matriz”, referiu Paula Lucas, coordenadora de ambiente e sustentabilidade da ANA. A empresa tem a expetativa de conseguir incorporar todas as alterações da nova norma nos próximos dois anos.

Para a Corticeira Amorim, a preocupação ambiental não só foi sempre estratégica, como foi uma questão de posicionamento de mercado face aos produtos concorrentes. A primeira experiência de certificação de sistema de gestão ambiental remonta a 2001. Ao longo dos anos a certificação tem vindo a trazer mais-valias ao negócio da Amorim, nomeadamente em termos de seguros de responsabilidade ambiental – o conhecimento mais aprofundado da área ambiental contribui para fundamentar a negociação e assim conseguir melhores apólices. “A nova norma vai proporcionar uma sistematização ainda maior na Amorim e de certeza que poderemos vir a melhorar a recolha de evidências para fortalecer a análise de risco. Também identificamos uma oportunidade de melhoria na relação com os fornecedores”, constatou Paulo Bessa, diretor de sustentabilidade da Amorim. A empresa espera integrar as alterações da nova norma até ao final de 2016.

A principal mudança entre a norma de 2004 e a de 2015 é a evolução de uma visão operacional para uma visão estratégica, mas no evento ficou claro que a nova norma vai conferir mais eficácia aos negócios e às organizações. Outra mudança com impacto é a generalização do conceito de gestão de risco, que vem reforçar a necessidade da melhoria contínua.

China, Espanha, Itália, Japão e Reino Unido são os países que ocupam o top 5 de implementação da ISO 14001. Portugal está alinhado com a maioria dos países da Europa, contando com entre 1000 a 10.000 certificações desta norma. O evento “Gestão Ambiental Estratégica: perspetivas das empresas sobre a nova ISO 14001” foi realizado em parceria com a APCER.

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