A urgência e a oportunidade da Bioeconomia Circular
24 Fev 2021

O Guia do CEO para Bioeconomia Circular visa dar aos líderes empresariais uma compreensão das oportunidades que a bioeconomia circular tem para oferecer ao setor privado. A sua versão portuguesa inclui seis exemplos empresariais, desenvolvidos no âmbito do Grupo de Trabalho de Bioeconomia do BCSD Portugal, pelas empresas EDP, Cortadoria Nacional de Pêlo, Jerónimo Martins, Lipor, PRIO e The Navigator Company.

O nosso atual modelo de desenvolvimento, altamente extrativo e poluente – e, por isso, altamente agressivo para as pessoas e para o planeta, numa palavra insustentável – tem na Bioeconomia Circular uma possibilidade de transição para a sustentabilidade.

Desde a década de 1970 que a Humanidade consome mais recursos do que seria matematicamente possível sem comprometer a capacidade das futuras gerações terem acesso às nossas opções e qualidade de vida, isto é, há 50 anos que vivemos a crédito das gerações futuras. Neste momento, seriam necessários os recursos naturais de mais de 2 planetas Terra para que os nossos modelos de desenvolvimento e estilos de vida fossem viáveis. Porém, só temos um planeta Terra – e emigrar para Marte não é opção!

A biosfera está numa situação de enorme fragilidade, de pré-ruptura definitiva. Do excesso de consumo de recursos naturais (minérios, minerais, combustíveis fósseis, água e biomassa), ao excesso de poluição (emissão de gases de efeito de estufa, e deterioração dos solos, ar e ecossistemas marinhos), até ao excesso de produção de lixos e resíduos, é urgente um novo paradigma de desenvolvimento, assente nos princípios da Bioeconomia Circular, designadamente, em nature-based solutions (soluções de base biológica).

A boa notícia é a Bioeconomia Circular já estar no centro da agenda política europeia. Apresentado há cerca de um ano, como a principal aposta para o crescimento e o emprego da Comissão Europeia até 2030, o Pacto Ecológico Europeu (European Green Deal) assenta em 10 pilares, todos eles profundamente alinhados com os princípios da Bioeconomia Circular – desde logo, os seguintes: neutralidade carbónica, energias renováveis, economia circular, agricultura verde e valorização dos ecossistemas e da biodiversidade.

A transição para um novo paradigma de desenvolvimento exige inovação em larga escala ao longo das cadeias de valor das empresas, que estas transitem para modelos de negócio sustentáveis, se possível regenerativos. Mas a Bioeconomia Circular não é apenas um desafio para as empresas, ele tem de envolver todos os setores da sociedade.

Segundo o plano, publicado recentemente, “Investing in Nature as the true engine of our economy – A 10-point Action Plan for a Circular Bioeconomy of Wellbeing”1, essa transição dependerá de sermos bem sucedidos em 10 aspetos chave: foco no bem-estar, não na riqueza (no PIB); investimento na natureza e na biodiversidade; distribuição da riqueza de forma justa e equitativa; redesenhar e integrar os sistemas alimentar e de saúde; repensar a generalidade das indústrias e cadeias de valor das empresas; reimaginar as cidades; criar um quadro regulatório adequado e eficaz; fazer da inovação para sustentabilidade uma prioridade política e de investimento; incentivar e facilitar o acesso a soluções de financiamento sustentáveis; e apostar na investigação e na educação para a sustentabilidade.

Assegurar que as futuras gerações terão acesso às mesmas oportunidades e qualidade de vida de que a Humanidade tem vindo a disfrutar nas últimas décadas é um desafio exigente e complexo, mas necessário. A equipa do BCSD Portugal cá estará para apoiar as empresas nesta transição!

Leia o artigo original no Capital Verde by ECO.

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