Acrescentar valor com eficiência energética
4 Nov 2014

Inovação e resistência à mudança foram os temas mais debatidos na sessão paralela dedicada à eficiência energética da Conferência Anual do BCSD Portugal, que juntou responsáveis pela gestão de energia de três setores – transportes, edifícios e indústria – e representantes de áreas onde habitualmente residem alguns dos bloqueios à eficiência energética – tecnologia, financeira e recursos humanos.

Mariana Nunes Páscoa, Coordenadora de Ambiente do Grupo Transtejo, abordou o caso de estudo “Tejo: melhor ar, melhor água”, que teve como objetivo reduzir o consumo de combustível dos 32 navios que compõem a frota do grupo, e que foi implementado através de duas perspetivas – a dos navios e a de quem os opera. Nos navios foram substituídos os revestimentos convencionais dos cascos por revestimentos de hidrogel e foi ministrada formação às tripulações sobre condução económica, ecológica e velocidade máxima de navegação. Mariana Nunes Páscoa explicou que “na impossibilidade de o grupo investir numa frota topo de gama em eficiência energética, a solução encontrada para minimizar o impacto ambiental dos catamarã foi a alteração dos cascos e a condução preventiva. O grupo estima que 7 a 10% da poupança energética resulta do hidrogel, mas a grande fatia de poupança está relacionada com o comportamento das tripulações. A chave para esta alteração de comportamentos foi a aposta de comunicação interna, que realçou as mais-valias do projeto para a empresa e para as pessoas”.

Mário Vieira, Coordenador na Área de Contratação de Bens e Serviço da ANA Aeroportos de Portugal, deixou dois conselhos para envolver as pessoas: “explicar de forma simples o valor acrescentado do projeto de eficiência energética e, no início do projeto, passar a chamar fotografia do ponto de situação em vez de auditoria energética”. Maria da Glória Ribeiro, Fundadora e Managing Partner da Amrop em Portugal, corroborou esta ideia, salientando que “para fazer com que haja coragem e confiança, as empresas têm de comunicar muito bem com as pessoas que precisam de mudar de atitude.”

João Silva, Coordinator, Corporate Environment, Operations da Sonae Sierra, comentou o “Bright Project”, um simulador energético que guia a empresa no que respeita aos consumos expectáveis de cada centro comercial. O projeto identifica as melhorias técnicas necessárias e as práticas de gestão de cada centro comercial, contribuindo para a diminuição dos custos operacionais e para a dependência do fornecimento de energia. João Silva explicou que a Sonae Sierra encara o projeto “como contributo do aumento da resiliência dos ativos da empresa, onde os colaboradores desempenham um papel tão fundamental que a remuneração variável também inclui uma componente ambiental individual”.

A Cimpor implementou um projeto de regeneração de energia resultante da travagem do sistema de transporte – tela – de matéria-prima, desde a pedreira do Bom Jesus de Alhandra até à fábrica de Alhandra. O projeto contribuiu para reduzir a necessidade de manutenções, reduzir o consumo de energia, aumentar a facilidade de controlo da operação e diminuir as emissões de CO2. Mário Lopes, Diretor do Centro de Produção de Alhandra da Cimpor, defendeu que “embora a indústria cimenteira esteja no topo da eficiência energética, há sempre novos projetos a implementar, que muitas vezes são sugeridos pela base da empresa”. Mário Lopes acredita que “quando há progresso tecnológico, não há resistência à mudança”.

Redução da pegada carbónica dos clientes da PT Portugal” é o projeto que, desde 2009, tem vindo a reduzir de forma efetiva a pegada de carbono dos clientes na utilização dos serviços da PT Portugal. As set top boxes (equipamentos que permitem aceder à televisão a partir de casa), foram otimizadas com a implementação de períodos de “standby passivo” após algumas horas de não utilização – o estado “standby passivo” consome cerca de 50% menos energia que o “on” ou o “standby ativo”. Miguel Jardim, Home Networking Program Manager da PT Portugal, explicou que este projeto é “a ponta do icebergue de um trabalho realizado na PT Portugal há muitos anos e também resultado de um trabalho processual que tem na génese a sustentabilidade. Apesar de no cliente individual a poupança ser de um a três euros por ano, este projeto é pautado pela solução de escala que as milhares de boxes instaladas representam”.

Smartmeetering” é a implementação de um sistema de monitorização de consumos de energia elétrica, gás natural, combustíveis líquidos, água e entalpia nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Ponta Delgada e Santa Maria, da ANA Aeroportos. A empresa instalou 1336 novos contadores e 2820 pontos de medição, que permitem a monitorização de 4156 pontos – estes dados passaram a ser tratados de forma centralizada e integrada e geridos em tempo real. Com o projeto, a ANA consegue detetar, de modo quase imediato, desvios nos consumos, o que leva ao desenvolvimento e implementação de medidas, com vista à racionalização da energia e da água. O projeto está a ser desenvolvido a cinco anos e a redução do consumo expectável dos cinco aeroportos é de 10%. O projeto contribui para a abertura a um conjunto de sub-projetos no âmbito da redução de consumos e melhoria de eficiência energética.

Os projetos debatidos da sessão paralela integram a AÇÃO 7 – Demonstrar o valor gerado por projetos de eficiência energética, que já conta com 19 casos de estudo, que representam 19 milhões de euros de investimento de eficiência energética. Ao preço da energia de hoje, estes casos de estudo representam 62,5 milhões de euros de poupança a cinco anos e 125 milhões de poupanças a 10 anos. Se falarmos no consumo anual de energia antes e depois do conjunto dos projetos, o valor em tep (tonelada equivalente de petróleo) apresenta uma redução de 12 milhões para 9 milhões respetivamente. A sessão “Acrescentar valor com eficiência energética” foi moderada por Lurdes Ferreira, editora-executiva do jornal Público.

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