Como criar valor económico reduzindo a pegada social e ambiental?
6 Jan 2015

Artigo de opinião publicado na Ambiente Magazine

O BCSD Portugal – Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável realizou, no fim de Outubro, a sua Conferência Anual, em que debateu a liderança estratégica das empresas e o valor das parcerias para a construção de uma sociedade sustentável.

Os líderes empresariais discutiram as questões críticas da agenda de um país sustentável, como queremos que seja Portugal, e foram unânimes num ponto: já não basta preocuparmo-nos, temos de agir! Temos de apanhar um comboio rápido, que nos obriga a um compromisso com a mudança e a uma exigência, dirigida aos poderes públicos, de acção condizente com a responsabilidade que lhes é cometida.

À escala global, as alterações climáticas têm tido impactes claros nos sistemas naturais: por exemplo, a mudança nos fenómenos de precipitação e o degelo. Segundo o Relatório 2014 (Grupo de Trabalho 2), do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, isso tem afectado a natureza geográfica, as actividades sazonais, os padrões de migração e a abundância de muitas espécies. As alterações climáticas têm já impactes observáveis nos sistemas humanos, como sucede com as colheitas. A mudança climática constitui, de facto, um dos maiores desafios que a sociedade enfrenta à escala mundial!

Por isso, mais de mil empresas, de 73 países, associam-se a um apelo dirigido aos governos para que actuem face às emissões de gases com efeito estufa. Organizações produtivas dos sectores da indústria, energia e transportes, representando activos superiores a 24 mil biliões de dólares, empenham-se nas iniciativas Proteger o Clima e Atribuir um Preço ao Carbono, divulgadas por ocasião da Cimeira da ONU sobre o Clima.

Estas iniciativas visam mobilizar os líderes empresariais na aplicação de soluções para as mudanças climáticas, mas também contribuir para modelar uma política pública internacional, já que os Estados e outras jurisdições são responsáveis, colectivamente, por 54 % das emissões mundiais de gases com efeito estufa.

As organizações produtivas sublinham a necessidade de estimular uma diminuição das emissões, todavia acentuam que, ao mesmo tempo, será indispensável mitigar o impacte desse esforço sobre a competitividade das empresas e manter uma concorrência equitativa a nível global. Um dos maiores desafios para as organizações empresariais consistirá, cada vez mais, em gerar valor responsável. A questão central coloca-se, pois, em criar valor económico reduzindo, simultaneamente, a pegada social e ambiental. Vamos consegui-lo através da gestão de uma carteira de produtos sustentável; da proposta aos nossos clientes de soluções inovadoras, que melhor respondam aos desafios da sustentabilidade; e da integração no nosso sistema clássico de contabilidade de métricas associadas às estratégias desenhadas para o capital humano e o capital natural.

O BCSD tem-se empenhado no modelo colaborativo AÇÃO 2020, um programa que ambiciona contribuir com soluções inteligentes, mas simples, concretas e imediatas, para alguns dos problemas que a crise originou em Portugal. O BCSD encontra motivo e legitimidade para reagir a um quadro de ameaças em que a estagnação do crescimento económico, o desemprego, os preços da energia, a escassez de recursos naturais, a instabilidade da regulação, o deficiente ordenamento do território e as alterações climáticas exigem uma frente comum.

Este programa apresenta a grande vantagem de se basear nas ideias dos CEO das nossas empresas e numa posterior elaboração a cargo de equipas muito competentes, com origem em sectores diversificados da actividade empresarial. Sou de opinião que todos temos de nos envolver, de colaborar no roteiro da mudança inadiável, de participar de forma proactiva. Podemos fazê-lo replicando ideias de outros, ideias novas ou até antigas (remoçadas ou que voltem a colocar-se), e associando os nossos parceiros ao espírito de mudança que a sustentabilidade exige, numa evolução para um patamar em que procuramos implicar toda a cadeia de valor.

Não resta alternativa ao dever de agir. Mas, para refundarmos uma sociedade competitiva e sustentável, geradora de crescimento económico e emprego, temos de pensar de forma positiva, temos de aprender de forma criativa e temos de fazer com que a mudança aconteça!

Luis Serrano
Country Manager do grupo Solvay para Portugal e Espanha
Presidente da Direção do BCSD Portugal

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