Competências críticas do capital humano até 2020
4 Nov 2014

A AÇÃO 1 – Adequar perfis de competências entre empresas e formação escolar serviu de mote a uma das sessões paralelas da Conferência Anual do BCSD Portugal. O debate, que foi também a apresentação pública do trabalho já realizado no âmbito da AÇÃO 1, abordou as necessidades das empresas para os próximos cincos anos, a capacidade de resposta do sistema educativo – geral, profissional e vocacional – e a motivação dos jovens para a escola e para o futuro. Foi também abordado o papel que outros atores chave desempenham neste percurso, desde as famílias aos professores e ao Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

A palavra mais salientada por Isabel Barros, Head of Talent Management & Development da Sonae, foi “colaboração”. A representante da Sonae notou as melhorias significativas que já se sentem – de que a Sonae é exemplo, com parcerias ao nível do ensino vocacional, por exemplo – mas defendeu que “a identificação de competências críticas continua a ser uma necessidade e a resposta a muitos problemas que continuam a existir”. Por isso mesmo, Isabel Barros reforçou a ideia de que, “independentemente de ser um trabalho exigente, é muito importante que as empresas se empenhem neste desafio, procurando conhecer melhor as suas necessidades de recursos humanos a médio-prazo, tal como fazem para outras áreas. Este exercício vai permitir que as empresas tenham disponíveis os recursos humanos de que necessitam”.

O IEFP trabalha a organização do mercado de trabalho com o objetivo de ajustar a oferta e a procura de emprego. Naturalmente, a colaboração com as empresas, desde logo na identificação antecipada das necessidades de recursos humanos, é uma parceria estratégica. Joaquim Bernardo, Assessor do Presidente do Conselho Diretivo do IEFP salientou que “a reintegração das pessoas no mercado de trabalho é uma tarefa morosa, que acarreta dificuldades quando os profissionais são direcionados para áreas com maior empregabilidade mas que diferem das suas áreas de formação”. Não obstante, os esforços do IEFP têm sido nesse sentido e o Instituto está aberto a mais e melhores parcerias com as empresas, nomeadamente no âmbito da AÇÃO 1.

O Hay Group, que tem apoiado o grupo de trabalho da AÇÃO 1 na elaboração do questionário de levantamento de competências críticas, falou da sua experiência no diagnóstico de competências, exercício que, quando pensado para o médio-prazo, considera muito exigente. Diana Guerra, consultora do Hay Group explicou que “a maior parte das empresas, quando realiza o diagnóstico de competências, fá-lo relativamente às competências comportamentais e não às competências técnicas”.

Erica Nascimento, CEO na Junior Achievement Portugal salientou que “é importante criar iniciativas que coloquem os estudantes em contacto com a realidade do mercado de trabalho, cuja maioria desconhece”. Mafalda Antunes, Psicóloga Educacional no Centro APPT21/DIFERENÇAS, reconheceu “a necessidade de trabalhar junto das famílias para chegar aos jovens e comunicar, de forma apelativa, com eles”. Para Mafalda Antunes, é preciso desmistificar as saídas profissionais e abordar a mais-valia da diversidade no trabalho.

Ramiro Marques, representante da experiência-piloto do ensino vocacional do Ministério da Educação e Ciência falou no ensino vocacional, definindo como público-alvo “os alunos insatisfeitos com os estudos do ensino geral, que procurem alternativa a este tipo de ensino”. Apesar do ensino vocacional estar conotado como opção de recurso para os alunos com maiores dificuldades no ensino geral, nos últimos anos os progressos têm sido muitos. Desde logo, o facto de as matrículas no ensino profissional e vocacional terem aumentado cinco vezes nos últimos dez anos, Ramiro Marques salientou que “é necessário contar com mais parcerias com empresas que tenham início na constituição dos cursos”.

O debate contou com a moderação de Madalena Queirós, editora Universidades e Emprego no Diário Económico e editora do programa Capital Humano no ETV.

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