Davos: empresas líderes globais apelam aos governos para adotarem medidas em prol da natureza
21 Jan 2020

Hoje no Fórum Económico Mundial em Davos, a “Business for Nature” – uma coligação global de organizações influentes e de empresas comprometidas com a sustentabilidade – pede uma ação concreta dos governos para a concretização de um novo acordo para a natureza e para as pessoas. 2020 é uma oportunidade histórica porque será o ano em que  líderes mundiais e governos se reunirão em vários encontros determinantes para definir o futuro do planeta.

Segundo o Nature Risk Report, publicado recentemente pelo World Economic Forum, as empresas estão hoje mais dependentes da natureza e dos seus recursos do que se pensava anteriormente. Cerca de 44 biliões de dólares em geração de valor económico – mais da metade do PIB mundial – é moderada ou altamente dependente da natureza.

Mais de 360 empresas que integram a coligação “Business for Nature” já assumiram compromissos para ajudar a reverter a perda de recursos naturais, respondendo desta forma com medidas concretas para a redução de riscos reais e significativos para a economia, comunidades e os meios de subsistência.

Reforçando o compromisso em prol da biodiversidade, o BCSD Portugal, parceiro da coligação “Business for Nature” em conjunto com outras organizações empresariais para o desenvolvimento sustentável, comprometeram-se a desafiar as empresas suas associadas para proteger, promover e restaurar a biodiversidade com a Lisbon Declaration.

Os compromissos vão sendo desenhado mas  as ações ainda são insuficientes. As empresas precisam de escalar e acelerar os esforços e exigir políticas ambiciosas urgentes para incentivar a mudança transformadora que os cientistas em todo o mundo referem ser necessária para mitigar as mudanças climáticas, promover o crescimento sustentável e deter o declínio da biodiversidade.

A coligação “Business for Nature” trabalhou com centenas de empresas de 15 setores de atividade, nos cinco continentes e com muitas outras organizações para desenvolver recomendações de políticas públicas robustas. As cinco recomendações para os governos são:

  1. Fornecer direção e ambição: adotar metas globais identificadas pela ciência para reverter a perda da natureza até 2030 e reconhecer o momento de emergência planetária.
  2. Alinhar, integrar e aplicar políticas para a natureza, as pessoas e o clima: contribuir para uma maior coerência dos mecanismos da ONU, incluir a natureza como uma das partes principais de políticas públicas e garantir a aplicação efetiva das leis ambientais.
  3. Ir além dos lucros de curto prazo e do PIB: valorizar e incorporar a natureza na tomada de decisões para que governos, empresas e organizações financeiras possam tomar melhores decisões no longo prazo.
  4. Financiar uma transformação socialmente justa: reestruturar subsídios e incentivos para recompensar ações positivas na natureza, juntamente com modelos de negócio inovadores e circulares e promover soluções financeiras que apoiem a natureza.
  5. Envolver, capacitar e colaborar: unir esforços pela natureza para que os setores público e privado possam implementar soluções e capacitar a sociedade para participar.

Estas ações pela natureza – se adotadas – têm o potencial de promover novas oportunidades e apoiar as empresas a contribuir ainda mais, o que, por sua vez, levará a uma maior participação política. Por isso, as empresas pressionam os governos a adotar estas recomendações pois entendem que a prosperidade social e económica e o sucesso dos seus negócios dependem de um mundo natural saudável, e que, para resolver as crises climáticas e de biodiversidade e reduzir a desigualdade, devemos proteger, conservar e restaurar a natureza.

No evento de lançamento em Davos, Eva Zabey, Diretora Executiva da coligação “Business for Nature”, declarou que “a performance financeira é irrelevante num planeta sem vida. As empresas estão a unir-se e a pressionar os governos para apoiar estas recomendações porque reconhecem que a prosperidade económica e social, e o sucesso dos seus negócios, dependem de um mundo natural saudável. Ao demonstrar o valor oculto da natureza e as consequências económicas de não conseguirmos proteger os ecossistemas, podemos incorporar a natureza como elemento vital na tomada de decisão dos principais negócios, dos sistemas financeiros e dos governos.”

A Dra. Anne Larigauderie, Secretária Executiva do IPBES afirmou: “O Relatório de Avaliação Global do IPBES deixou claro que proteger adequadamente as contribuições da natureza para as pessoas exige uma economia globalmente sustentável. A necessária evolução dos sistemas financeiro e económico só pode ser alcançada em parceria com decisores, no governo, mas também de forma crítica, com o setor privado. O IPBES valoriza o envolvimento e as iniciativas, como estas importantes recomendações da “Business for Nature”, como contribuições vitais para a crescente onda de conscientização e ações mais ambiciosas para a biodiversidade.”

Karl-Johan Persson, CEO do grupo H&M, mencionou: Estabelecemos Science Based Targets e estamos a trabalhar em prol da nossa ambição de nos tornarmos totalmente circulares e “positivos para o clima”, mas não é o suficiente. A biodiversidade é fundamental para o futuro do planeta. Todos os atores precisam levar a sério sua responsabilidade para conduzir as mudanças necessárias. As empresas precisam de se comprometer e de agir, os governos precisam de facilitar o processo através de leis mais ambiciosas e da sua implementação. Somente através da colaboração vamos resolver os desafios que enfrentamos hoje causados pela perda da natureza.

Link para a lista completa de recomendações de políticas públicas: https://www.businessfornature.org/policy

Business for Nature – catalisando a liderança empresarial para impulsionar a ação política.

É uma coaligação global que reúne organizações influentes e empresas com visão de futuro. Juntos demonstramos ações e ampliamos a voz do setor empresarial que pede aos governos ações para reverter a perda da natureza.

Uma iniciativa de:

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