Economia circular

Existe apenas um planeta Terra, mas em 2050 o mundo consumirá o equivalente a três. O nosso modelo económico atual, que depende fortemente de recursos naturais finitos, extrai cerca de 92 mil milhões de toneladas de recursos anualmente, dos quais 75% são de origem fóssil, colocando pressões acentuadas sobre os ecossistemas e na sua capacidade de regeneração do capital natural. A persistência na prática deste sistema extrativo apresenta riscos empresariais, nomeadamente a escassez de recursos, a aceleração das alterações climáticas e eventuais interrupções das cadeias de abastecimento. Face a este panorama, o tema da circularidade tornou-se um conceito apelativo na agenda internacional e começou a ser debatido como um novo modelo para gerir os limites à disponibilidade de recursos e, simultaneamente, uma nova e equilibrada forma de crescimento económico.

A Economia Circular (EC) apresenta-se como uma alternativa oponente à atual designada de Economia Linear, e define-se como um sistema restaurador e regenerativo, no qual a entrada de recursos, a produção de resíduos e emissões e as perdas de energia são minimizadas pela desaceleração, redução e fecho dos ciclos de materiais e energia. O conceito de EC procura alterar a forma de como os produtos são desenhados, promovendo a criação de produtos funcionais, eficientes e com maior durabilidade, e com capacidade técnica para reutilização, reparação e reciclagem, de modo a que possam, assim, ser reintegrados nas cadeias de valor.  

A transição gradual e transformadora para a Economia Circular proporciona vantagens evidentes para as empresas, desde o aumento de rendibilidade dos processos de produção e proteção das flutuações dos preços dos recursos, até à oportunidade de reinvenção e desenvolvimento de um novo leque de modelos de negócio sustentáveis e regenerativos que coloquem a empresa mais próxima do consumidor e mais competitiva.

Apesar dos benefícios que oferece, a economia global está classificada como apenas 8,6% circular, o que demonstra que as práticas atuais no sentido da desmaterialização e eficiência de recursos não são suficientes, o que destaca a urgência de revisitar a estratégia e acelerar a mudança. Esforços políticos e regulatórios já estão em linha com este desígnio. A nova Estratégia Europeia para a Economia Circular, publicada em 2020, vem elucidar que a jornada de transição para uma economia restauradora e regenerativa não pode ser alcançada com base em iniciativas isoladas, mas sim através de uma abordagem holística e sistémica.

Saiba mais sobre legislação e standards internacionais na área de economia circular

Grupo de trabalho

Qual o papel do grupo de trabalho nesta área?

De modo a capacitar as empresas para a transição necessária, o Grupo de Trabalho de Economia Circular foi criado para promover as sinergias circulares entre empresas, assim como acompanhar as tendências, as políticas públicas e promover o desenvolvimento de conhecimento nesta matéria.

Objetivos 2022

  • Partilhar experiências inovadoras e promover abordagens de cadeia de valor.
  • Contribuir para o desenvolvimento de um passaporte de materiais com aplicação multissetorial, de modo a apoiar a medição e a transparência sobre desempenho circular das empresas.
  • Agir como uma voz empresarial para gerar legislação que promova a economia circular ao nível nacional com os padrões europeus.
  • Colaborar com o Grupo de Trabalho da Jornada 2030 no contexto do Objetivo 3 da Jornada 2030 (Inovar para a economia circular) e da respetiva Meta (até 2030, reduzir a pegada ambiental dos materiais e produtos em linha com os objetivos da Estratégia de Economia Circular da UE).

Projetos

2ª edição do Projeto Piloto Circular Transition Indicators

Circular Transition Indicators (CTI) é uma ferramenta que visa medir e quantificar a circularidade nas empresas, independentemente do tipo de indústria, dimensão, geografia e posição na cadeia de valor. Este framework, com aplicação universal, foi desenvolvido pelo WBCSD, com a colaboração de 30 empresas suas associadas. A lógica da CTI assenta na avaliação dos fluxos de materiais de um dado negócio, que são posteriormente conjugados em indicadores de transição circular. A partir destes indicadores, a CTI vem fornecer às empresas uma linguagem comum para usar na tomada de decisão e na comunicação com os principais stakeholders, bem como catalisar o contacto e partilha de informação entre utilizadores e parceiros da cadeia de valor.

O lançamento da versão portuguesa da CTI V2.0 proporcionou o desenvolvimento de uma segunda edição do projeto piloto de aplicação desta ferramenta, promovido pelo BCSD Portugal. O Grupo piloto da CTI V2.0 é constituído pelas empresas Altice, Amorim Cork Composites, EDP, Efacec, Hovione, PRIO, Stravillia Sustainability Hub, Secil, Sovena e The Navigator Company, e conta com a colaboração das empresas KPMG Portugal e Circular IQ.

 

Projeto “Passaporte de Materiais”

No universo empresarial, tem-se tornado cada vez mais evidente necessidade de haver uma melhor compreensão ao nível da identidade dos materiais que as empresas mobilizam e métodos que podem ser implementados para a sua posterior recuperação e/ou reutilização, assim como quais as melhores práticas que devem ser promovidas nos seus processos de procurement.

Face a este contexto, o Grupo de Trabalho de Economia Circular está a promover o projeto “Passaporte de Materiais”, que visa dois principais objetivos: o desenvolvimento de um passaporte de materiais, criado com base em critérios de Economia Circular, com aplicação multissetorial; e a elaboração de um manual de aplicação do referido passaporte de materiais, que contextualize o tema, apresente as orientações transversais para o seu desenvolvimento, e inclua casos de aplicação empresariais.

Conheça casos de estudo de economia circular nas empresas

Outras áreas de trabalho