Energia ou exergia?
5 Abr 2016

A redução das emissões de carbono que o Acordo de Paris impõe para as próximas décadas poderia ser atingida através de, pelo menos, três medidas: descarbonização do sistema energético, diminuição da intensidade energética da economia e redução do crescimento económico. A primeira solução é a mais discutida, mas é insuficiente. A última solução é a menos desejável. Existe, no entanto, a possibilidade de promover a segunda solução, promovendo simultaneamente o crescimento económico. Esta ideia foi defendida por Tiago Domingos, professor auxiliar da área científica de ambiente e energia do departamento de engenharia mecânica do Instituto Superior Técnico (IST), orador do evento exclusivo para membros do BCSD – “A energia como fator de desenvolvimento económico num contexto de descarbonização”.

Tiago Domingos centrou a sua intervenção no facto de a história provar que o uso da energia é indissociável do crescimento económico. E acrescentou que a principal fonte do crescimento económico ainda é essencialmente desconhecida, já que não pode ser explicada apenas pelo aumento dos fatores de produção habitualmente considerados: capital e trabalho. “Continuamos a percecionar que a maior parte do crescimento económico advém do crescimento da produtividade total dos fatores – Solow residual – mas já o economista Abramovitz defendia que Solow residual representa uma medida da nossa ignorância em relação ao processo de crescimento”, defendeu Tiago Domingos. “Precisamos de explorar outros fatores que contribuem para o crescimento económico” e, na opinião de Tiago Domingos, “a energia deveria ser um destes fatores”.

A revolução industrial que se avizinha tem de ser baseada numa definição ampla de eficiência, que recorre à real utilidade da energia para explicar o crescimento económico”, afirmou Tiago Domingos. Há que tornar o uso da energia o mais eficiente possível. Para tal, deve-se utilizar o conceito de exergia, que se traduz na capacidade de um fluxo de energia gerar trabalho útil. O conceito permite comparar diferentes fluxos como a energia mecânica, o calor ou os fluxos de massa. Só através de uma análise dos fluxos de exergia nas nossas economias podemos compreender os pontos de principal ineficiência e o consequente potencial de melhoria. Adicionalmente, o trabalho de investigação realizado no IST, concluiu que a exergia permite explicar, quase integralmente, o crescimento da produtividade total de factores em Portugal nos últimos 50 anos.

O papel da energia no crescimento económico pode ser uma das respostas para os desafios do Acordo de Paris e, no caso nacional, para os desafios da revitalização económica”, concluiu Tiago Domingos.

FOTOGRAFIAS DO EVENTO

Partilhe este artigo

Links relacionados

+ Notícias

Leia as notícias online. Por um desenvolvimento sustentável.