Entrevista do BCSD Portugal a António Mexia, CEO da EDP
28 Mar 2019

Em entrevista exclusiva, António Mexia, CEO da EDP, explica as tendências do setor da energia rumo ao desenvolvimento sustentável. Destaca, entre diversas iniciativas da empresa, o potencial transformador da energia solar, do armazenamento de eletricidade e da mobilidade elétrica.

De que forma se reflete o vosso compromisso com a sustentabilidade na vossa estratégia, nos vossos objetivos e no vosso plano de atividades para 2019?

A aposta no desenvolvimento sustentável tem sido um dos principais eixos de negócio incorporados na nossa estratégia, com objetivos claros e exigentes para o futuro. A incorporação da sustentabilidade na estratégia, nas operações, nos serviços e produtos que oferecemos aos nossos investidores, clientes e sociedade não é uma preocupação que temos apenas hoje, mas que temos reforçado ao longo da última década e que está refletida na nossa aposta em renováveis, em eficiência e inovação.

É inegável que estamos atualmente a viver uma época de absoluta transformação, com o objetivo de alcançar economias descarbonizadas, alinhadas com o Acordo Climático de Paris, e sociedades que, não só respeitem, mas que promovam os objetivos de desenvolvimento sustentável, alinhados com a Agenda 2030 das Nações Unidas. Sendo que, a par desses desafios globais, estamos igualmente a viver uma época de absoluta transformação tecnológica, marcada por constantes inovações, automação e inteligência artificial. A velocidade, amplitude e profundidade destas transformações obriga-nos a repensar como as empresas podem criar valor, usando a tecnologia e impactando positivamente os consumidores, outras organizações e comunidades.

Os objetivos ambiciosos estabelecidos pela EDP para os próximos anos comprovam o compromisso do grupo com a sustentabilidade. Destes, destaco o nosso objetivo para 2030 de alcançar um nível de produção de energia renovável de 90% e de redução de 90% das emissões específicas de CO2, face a 2005. Outros compromissos incluem a instalação de energia solar descentralizada e de contadores inteligentes, a eletrificação da frota ligeira do Grupo e o desenvolvimento de soluções comerciais de promoção da mobilidade elétrica, incluindo infraestruturas de carregamento e soluções que respondam a uma procura cada vez mais crescente.

Quais as principais tendências de inovação no domínio da sustentabilidade no sector energético?

O futuro estará algures na interseção de várias das tendências que estamos a considerar, principalmente relativas a tecnologia, energia, pessoas e planeta. As tendências do setor de energia coincidem, sobretudo, com a evolução da eletrificação através de fontes renováveis, da produção descentralizada, de sistemas mais digitais e de serviços baseados em data e novas tecnologias como inteligência artificial e internet das coisas (IoT), sempre com um importante foco no cliente.

Na EDP vemos a inovação como uma ferramenta crucial para a criação de valor. Em 2008 criámos a EDP Inovação com a missão de desenvolver projetos internos, mas também de ajudar a construir um ecossistema que envolvesse as startups. Dez anos depois, temos três fundos, programas localizados em Portugal, Espanha e Brasil, e somos parceiros fundadores do programa de aceleração Free Electrons.

Assumimos também o compromisso de, até 2020, investir 200M€ em projetos inovadores em tecnologias limpas e promissoras. Das principais iniciativas destaco a aposta no roll out do Inovgrid que levará as redes inteligentes à generalidade dos nossos clientes e que abre portas a um imenso potencial de desenvolvimento de produtos e serviços na área da energia e das smart homes. Temos também apostado cada vez mais na digitalização, com o desenvolvimento de ferramentas de big data, data analytics, machine learning e inteligência artificial, com o objetivo de melhorar a experiência dos nossos clientes, com novos produtos e serviços de valor acrescentado, e a gestão dos nossos ativos.

Continuaremos o processo de desenvolvimento da tecnologia offshore flutuante e também a aposta na energia solar, no armazenamento de eletricidade e na mobilidade elétrica – três áreas que acreditamos que vão revolucionar o setor nos próximos anos.

Parte do compromisso com a sustentabilidade e a ecologia depende do consumidor – como descreve a adesão dos portugueses a produtos e serviços relacionados com as energias renováveis e a eficiência energética e como planeiam melhorar os resultados?

Sendo a transição energética um dos principais pilares das sociedades e de economias sustentáveis, estamos a assistir cada vez mais a uma mudança no paradigma de consumo. Os consumidores encontram na sustentabilidade um propósito nas suas escolhas e nos seus comportamentos diários e a energia assume, por isso, um papel cada vez mais relevante nas suas vidas.

A EDP tem vindo a antecipar esta mudança, nomeadamente com o lançamento de soluções na área do solar, que atraem cada vez mais portugueses. Bem como serviços vários de eficiência energética. Por exemplo, em 2018 foram realizadas 6,5 mil auditorias de equipamentos e 23 mil auditorias de iluminação a pedido do cliente EDP, que procura ter um consumo cada vez mais eficiente. No que diz respeito à energia solar, hoje já há mais de 20 mil casas em Portugal com soluções solares EDP e estimamos que, nos próximos anos, a energia solar cresça a um ritmo acelerado, suportado pelo desenvolvimento tecnológico e pela inovação de modelos de negócio.

Também na mobilidade, área em que a EDP tem investido em novos produtos e serviços que respondam à crescente procura e aos desafios que se impõem, temos vindo a assistir a um forte aumento das vendas de veículos elétricos e híbridos, ao mesmo tempo que vemos nas nossas cidades o aparecimento de novas opções de mobilidade partilhada e elétrica. Este é um dos eixos prioritários na nossa estratégia e estabelecemos como objetivo atingir um milhão de clientes com soluções de mobilidade EDP em 2030. Para lá chegar, estamos a alargar a rede pública de postos de carregamento, a criar soluções que permitam uma gestão eficiente dos consumos e a investir nas parcerias.

Assistimos ainda a uma preferência crescente dos consumidores por produtos mais eficientes, nomeadamente para a climatização das casas, aquecimento de água e iluminação. Ao mesmo tempo, acreditamos que cada vez mais vão ser procuradas soluções que disponibilizem informação relevante sobre os consumos de energia e que permitam aos consumidores ajustarem os seus hábitos de modo a tornarem-se mais eficientes.

Como consumidor, onde considera que há espaço para melhorias ao nível da sustentabilidade?

Há sempre margem para melhoria. Daí que tenhamos assumido compromissos tão ambiciosos nesta área. Por um lado, haverá uma tendência para maior transparência por parte das empresas em termos do impacto nos diferentes pilares da sustentabilidade, permitindo que os consumidores tenham informação que lhes permita fazer escolhas mais informadas. Por outro, as empresas deverão continuar a procurar inovar no desenvolvimento de soluções e produtos que permitam que os consumidores possam eles próprios contribuir cada vez mais ativamente para o desenvolvimento sustentável. Enquanto consumidores temos também um caminho a fazer, que começará por demonstrarmos aquilo em que acreditamos através dos produtos e serviços que escolhemos.

Temos assistido a uma revolução sustentável, em grande parte explicada pelo conhecimento que temos hoje dos grandes desafios ambientais e sociais associados à forma como produzimos e consumimos recursos e às enormes disparidades que ainda existem no mundo. Mas também pelos comportamentos das novas gerações que se preocupam, que valorizam e nos exigem produtos e processos mais inovadores e sustentáveis, representando a base de uma visão de futuro que deve fundamentar os nossos comportamentos e investimentos de hoje.

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