Entrevista do BCSD Portugal a Sandra Cristina Conceição, Diretora de Operações da Nespresso
28 Jan 2019

Em entrevista ao BCSD Portugal, Sandra Cristina Conceição, diretora de operações da Nespresso, explica qual o papel da sustentabilidade na estratégia e nas operações da empresa.

Quais as principais tendências de inovação no domínio da sustentabilidade na indústria do café?

As grandes tendências estão, hoje, não apenas no desenvolvimento de modelos de economia circular para as cápsulas de café, mas, também, na redução do consumo de embalagens single use no momento do consumo. O excesso de utilização de palhinhas, paletinas ou copos de plástico foi ainda alvo de maior consciencialização no ano de 2018, constituindo um marco importante na definição de planos que permitam operacionalizar a sua substituição por alternativas cada vez mais sustentáveis e com modelos de economia circular responsáveis. Acreditamos que a tendência será cada vez mais reduzir a utilização de materiais com pegada menos positiva e a Nespresso não é exceção. Pretendemos, este ano, substituir as paletinas de plástico por paletinas de bambu e substituir a utilização de chávenas de acrílico nos momentos de tasting de café nas Boutiques e, sempre que possível, nos eventos em que participamos. A sustentabilidade é uma oportunidade de melhoria contínua.

Porque é a sustentabilidade um elemento estratégico para a competitividade da Nespresso?

Mais do que um elemento estratégico para a competitividade, a sustentabilidade faz parte dos valores da Nespresso. Acreditamos que cada chávena de café pode não só proporcionar um momento de prazer, mas também restaurar, reabastecer e revitalizar as comunidades e o ambiente. Como empresa, a sustentabilidade é a nossa forma de trabalhar, está no centro de tudo o que fazemos e é trabalhada em toda a cadeia, desde o grão do café até à chávena, através de três pilares fundamentais:

  • Produção de café da mais alta qualidade de forma sustentável: A criação do programa Nespresso AAA para a Qualidade Sustentável™, que combina o expertise em café com o conhecimento da Rainforest Alliance sobre a sustentabilidade social e ambiental, tem um efeito muito positivo sobre as pessoas que trabalham o café na sua origem e ainda no planeta;
  • Reciclagem de cápsulas e utilização responsável do alumínio: na estratégia de reciclagem da Nespresso, pretende-se que a utilização da cápsula não termine no momento em que se bebe o café, por isso, incentivamos todos os clientes a reciclar as suas cápsulas usadas, para que seja possível dar-lhes uma segunda vida: a borra é separada do alumínio e é integrada num composto agrícola que fertiliza campos de arroz, posteriormente doado ao Banco Alimentar; o alumínio segue normalmente a fileira da reciclagem e dá origem a muitos outros novos produtos, do qual são exemplo uma câmara pinhole (projeto desenvolvido pela Nespresso Portugal em 2018) ou canetas, mas existem muitos outros objetos passíveis de utilizar o alumínio reciclado;
  • Redução da pegada de carbono: uma redução em pelo menos 10% na operação global é o nosso objetivo até 2020 e, com o insetting da pegada de carbono operacional residual, queremos ser uma empresa 100% neutra em relação ao carbono; isto estende-se às explorações de café, cuja resiliência ao clima ajudaremos a aumentar através de um extensivo programa agroflorestal.

O processo de reciclagem das cápsulas Nespresso depende do compromisso do consumidor – como descreve a adesão dos portugueses a esta iniciativa e como planeiam melhorar os resultados?

Os portugueses estão cada vez mais conscientes e envolvidos com as questões ambientais. No programa de reciclagem das cápsulas Nespresso, o envolvimento é percetível pelo crescimento contínuo da taxa de reciclagem. Em 2016, a nossa taxa de reciclagem estava em cerca de 10% e, em apenas 2 anos, conseguimos duplicar, estando agora perto dos 20%. O crescimento deve-se maioritariamente à adesão e ao compromisso dos clientes Nespresso mas, também, à estratégia da marca, com dois grandes focos:

  • Tornar a reciclagem mais fácil com mais de 200 pontos para reciclar espalhados pelo país, além das 22 boutiques Nespresso, através do projeto Recycling@Home, que permite devolver as cápsulas usadas ao distribuidor no momento em que se recebe a nova encomenda e ainda através dos mais de 500 pontos para reciclar nos nossos clientes da área profissional;
  • Um plano de comunicação integrado que fornece mais informação aos clientes sobre os locais onde podem reciclar e desmistifica o que acontece às cápsula entregues: não está apenas a reciclar a cápsula, está a dar-lhe uma segunda vida! Com o projeto Reciclar é Alimentar já foi possível doar ao Banco Alimentar mais de 100 milhões de refeições.

Para 2019, continuaremos com um grande foco na comunicação da reciclagem e pretendemos, com a contribuição de todos os clientes Nespresso, chegar a uma taxa de reciclagem de 23%.

Que iniciativa destaca no vosso plano de atividades para 2019, no domínio da sustentabilidade?

Para 2019, destacamos duas iniciativas no domínio da sustentabilidade: reduzir a utilização de chávenas de acrílico nos tastings de café nas Boutiques Nespresso, substituindo-as, sempre que possível, por chávenas de porcelana, e passar a oferecer paletinas de bambu para mexer o café, deixando assim de utilizar as de plástico. Com estas duas grandes iniciativas, pretendemos reduzir ao máximo a utilização de plástico single use, assegurando sempre a qualidade dos nossos produtos e serviços.

Como consumidora, onde considera que há espaço para melhorias ao nível da sustentabilidade?

Globalmente, temos de tornar a reciclagem um ato integrado nos nossos hábitos e com um esforço quase inexistente. Para tal, é importante a criação de fluxos que permitam ao consumidor final simplificar o processo de segregação nos seus lares investindo antes em processos a montante capazes de o fazer. A inovação técnica é determinante, e depois o investimento capaz de habilitar os atuais sistemas instalados para que sejam capazes de o fazer. O encaminhamento para aterro é cada vez mais um caminho que deve ser mitigado, já que existem, hoje, modelos de economia circular significativamente mais relevantes, nomeadamente a conversão dos resíduos em energia, limitando os consumos de recursos naturais. A curto prazo, consideramos que, apesar de já existirem alguns projetos no que diz respeito à sustentabilidade, estes deverão ser promovidos e melhorados, sobretudo em áreas como o desperdício alimentar, a utilização da água e a reciclagem dos materiais, que pode também passar pela reciclagem das cápsulas de café. Há ainda um grande caminho a percorrer, mas entendemos que o mais importante é fazê-lo de uma forma responsável e sustentável.

Saiba mais sobre a política de sustentabilidade da Nespresso

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