Manifesto “Rumo à COP26”

21 de julho 2021

Atualizado em 21 de julho 2021

 

26.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) aproxima-se, naquele que é um momento crítico para se cumprir o Acordo de Paris sobre o clima. Limitar o aquecimento da Terra a 1,5⁰C implica reduzir para metade as emissões globais até 2030, o que obriga a acelerar bastante o processo de descarbonização em todo o mundo.

Se a ação climática se limitasse às políticas atualmente em curso, tal resultaria num aquecimento global no mínimo de 2,9⁰C, incompatível com a ambicionada proteção para a biosfera e vida na Terra.

Neste contexto, o BCSD Portugal corrobora a relevância da COP26 e sublinha a importância de se alcançarem os seguintes objetivos como principais resultados:

1. Setor energético

Assegurar a neutralidade carbónica global até 2050, usando como referência global a ambição expressa no Roteiro para a Neutralidade Carbónica (RNC2050), designadamente, a ambição de mais de 80% do mix energético ter origem em fontes renováveis até 2050.

2. Natureza

Alinhar agendas e reconhecer que os objetivos de mitigação e adaptação às alterações climáticas não podem ser concretizados sem a promoção eficaz de soluções baseadas na natureza (nomeadamente, valorizando os sumidouros naturais de carbono, como a floresta e os oceanos), e o restauro, a conservação e a valorização dos recursos naturais.

3. Serviços de ecossistema

Adotar mecanismos de remuneração que permitam a valoração dos serviços que a natureza nos presta, geralmente não remunerados, para garantir que os seus benefícios, essenciais à economia, à regulação do clima e da diversidade biológica, e à nossa saúde, são assegurados no futuro.

4. Contribuições Nacionalmente Determinadas

Aumentar o número de países ativamente comprometidos em reduzir em 50% as emissões até 2030 e em atingir emissões net zero até 2050, tornando os seus compromissos juridicamente vinculativos. Paralelamente, garantir a finalização do Livro de Regras do Acordo de Paris e, no caso dos países da UE, garantir que as políticas nacionais acompanham as metas definidas.

5. Subsídios e mecanismos de mercado

Atribuir um preço de carbono, de modo a internalizar os seus impactes ambientais, e eliminar gradual e efetivamente subsídios injustificados ou incompatíveis com o objetivo de redução de emissões de Gases com Efeito de Estufa, através de instrumentos transparentes e robustos, de alcance global e equilibrados entre espaços económicos, de forma a evitar distorções concorrenciais que levem à exportação de emissões para geografias menos exigentes, ou à circulação de produtos que não cumpram os requisitos aplicáveis, assegurando a erradicação da pobreza energética, salvaguardando a segurança do abastecimento e contribuindo para transformar o comportamento dos consumidores.

6. Mercados de carbono internacionais

Definir regras claras e robustas para o funcionamento do Artigo 6º do Acordo de Paris sobre mercados de carbono, que evitem a dupla contabilização de créditos de carbono, garantam uma redução global das emissões e contribuam para a construção de uma economia neutra em carbono.

7. Financiamento de países em desenvolvimento

Cumprir o compromisso, definido no Acordo de Paris, de apoio aos países em desenvolvimento, no valor de 100 mil milhões US$ por ano, enquanto fator crítico na proteção contra os impactes climáticos e na aceleração da descarbonização a nível global, com regras e monitorização.

8. Finanças sustentáveis

Criar incentivos de mercado que direcionem o financiamento e o investimento para soluções de baixo carbono, nomeadamente, soluções de finanças sustentáveis, procurando assegurar normas universais de medição e reporte do risco e dos impactes climáticos.

9. Investigação, desenvolvimento e inovação (I&D&I)

Apoiar o desenvolvimento de novas tecnologias e a alteração de métodos produtivos, através da colaboração entre empresas e academia, e da dinamização de parcerias público-privadas em prol da neutralidade carbónica.

10. Transição justa

Criar mecanismos para qualificação e requalificação das pessoas mais afetadas pela transição, baseados no diálogo entre trabalhadores, empregadores, governos, comunidades e sociedade civil, para que ninguém fique para trás e se garanta que os custos e benefícios da ação climática são distribuídos de forma equitativa.

11. Planos de adaptação

Incentivar os países a desenvolverem estratégias de resiliência que acautelem os riscos climáticos físicos nos locais chave das cadeias de valor globais e para as comunidades e populações locais.

Estamos num momento decisivo. É crucial aproveitar as lições da pandemia para acelerar a transição necessária e evidente a urgência da COP26 ser um sucesso, de forma a evitar consequências desastrosas para as sociedades e economias.

 

Manifesto publicado no Jornal Diário de Notícias » 

 

São signatários do Manifesto “Rumo à COP26”:

 

Abreu Advogados, Inês Sequeira Mendes, Managing Partner

Accenture Portugal, José Gonçalves, Presidente

Águas e Energia do Porto, Frederico Fernandes, Presidente do Conselho de Administração

Algebra Capital, Vittorio Calvi, Managing Director

Altice Portugal, Alexandre Fonseca, Presidente Executivo da Altice Portugal

Altri, SGPS, S.A., José Soares de Pina, Presidente da Comissão Executiva

AMBIOSFERA LDA., Nuno Esteves de Carvalho, Diretor Geral

ANA Aeroportos de Portugal, S.A., Thierry Ligonnière, Presidente da Comissão Executiva

APCER – Associação Portuguesa de Certificação, José Leitão, CEO

APlanet, Joana Paredes Alves, Co-Founder

Avenue, Aniceto Viegas, CEO

BioRumo – Consultoria em Ambiente e Sustentabilidade, Luís Sousa, Diretor Geral

Biosphere Portugal, Patrícia Araújo, CEO

Bondalti, João de Mello, Presidente

Brisa, António Pires de Lima, Presidente da Comissão Executiva/CEO

Carglass, Pedro Soares, Head Of Procurement and Network Support

Casa Mendes Gonçalves, Carlos Mendes Gonçalves, Presidente do Conselho de Administração

Cimpor Portugal Cabo Verde Operations, Luís Fernandes, CEO

CMS – Rui Pena & Arnaut, Francisca Marques, Diretora Geral

Cocoon Experience, Anabela Fernandes, Managing Partner

Companhia das Lezírias, S.A., António João Coelho de Sousa, Presidente

CONSULAI, Pedro Santos, Diretor-Geral

Corticeira Amorim, Cristina Amorim, Board Member/CFO

CP – Comboios de Portugal, Nuno Freitas, Presidente do Conselho de Administração

CTT, João Bento, CEO

CUF, Rui Diniz, Presidente da Comissão Executiva

Deloitte Technology, S.A., António Lagartixo, CEO

Delta Cafés, Rita Nabeiro, Administração Grupo Nabeiro

EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, S.A., José Pedro Salema, Presidente do Conselho de Administração

EDP – Energias de Portugal S.A., Miguel Stilwell d’Andrade, CEO

Efacec, Angelo Ramalho, CEO

Endesa, Nuno Ribeiro da Silva, Presidente

Everis Portugal, Tiago Barroso, CEO

EY, Manuel Mota, Climate Change & Sustainability Services Leader

Fidelidade, Jorge Manuel Magalhães Correia, Chairman

Finerge S.A., Pedro Norton, CEO

FLEXDEAL SIMFE S.A., Alberto Amaral, CEO

Fujitsu Technology Solutions, Lda., Carlos Barros, Managing Director

Galp, Andy Brown, CEO

GoWithFlow, Jane Hoffer, CEO

Grosvenor House of Investments, Duarte Costa, Founder & Managing Partner

Grupo Ageas Portugal, Steven Braekeveldt, CEO

Grupo Águas de Portugal, José Furtado,Chairman & CEO

Grupo ProCME, José Reis Costa, Presidente

Hovione, Guy Villax, CEO

HyChem – Química Sustentável, Nuno Cortez Coelho, Presidente do Conselho de Administração

Jerónimo Martins, Pedro Soares dos Santos, Presidente do Conselho de Administração e Administrador-Delegado

Joyn SGPS, Gonçalo José Cardoso Nunes Caeiro, Co-Fundador

Lidergraf – Sustainable Printing, Cristiano Azevedo, CEO

LIPOR – Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto, Aires Pereira, Presidente

Loyal, Mafalda Henriques, Managing Partner

ManpowerGroup Portugal, Rui Teixeira, Chief Operations Officer

Metropolitano de Lisboa, E.P.E., Vítor Domingues dos Santos, Presidente do Conselho de Administração

Millennium bcp, Miguel Maya, CEO

Mota-Engil, Gonçalo Moura Martins, CEO

NOS, Miguel Almeida, Presidente da Comissão Executiva

Oney Bank – Sucursal em Portugal, Dario Coffetti, Diretor Geral

Prio Bio, Emanuel Proença, CEO

PwC, Cláudia Coelho, Sustainability & Climate Change Partner

REN – Redes Energéticas Nacionais, Rodrigo Costa, Presidente

Resíduos do Nordeste, EIM, S.A., Hernâni Dinis Venâncio Dias, Presidente do Conselho de Administração

Saint-Gobain Portugal S.A., José Martos, CEO

Sair da Casca, Nathalie Ballan, Partner

Santander, Marcos Soares Ribeiro, Head Banca Responsável, Universidades e Novo Normal

Savills Portugal, Patrícia de Melo e Liz, CEO

Schneider Electric Portugal, Lda., João Rodrigues, Country Manager

Schréder, Nicolas Keutgen, Director

SECIL, Otmar Hübscher, CEO

Signium | Xara-Brasil, Proença de Carvalho & Partners, Felipa Xara-Brasil, Executive Board Member

Simas de Oeiras e Amadora, Alfredo Romano Castro, Diretor Delegado

Sofid, Marta Mariz, CEO

Sogrape, Fernando da Cunha Guedes, Presidente

SOJA DE PORTUGAL, António Isidoro, CEO/Presidente do Conselho de Administração

Sonae GPS, Isabel Barros, Presidente do Grupo Consultivo de Sustentabilidade

SOVENA, Jorge de Melo, CEO

Stravillia Sustainability Hub, Francisco Neves e Maria João Vaz, Managing Partners

SUMOL+COMPAL, Duarte Pinto, CEO

Super Bock Group S.A., Rui Lopes Ferreira, CEO

SUSTAINAZORES, Joana Borges Coutinho, Founder & CEO

Tabaqueira, Marcelo Nico, Diretor Geral

TECNOPLANO, S.A., Bernardo Matos de Pinho, Presidente do Conselho de Administração

The Navigator Company, João Castello-Branco, Presidente do Conselho de Administração

Tintex Textiles, Ricardo Silva, CEO

TRIVALOR SGPS, S.A, Joaquim Cabaço, Presidente Conselho de Administração

UCI – Dê Crédito à sua Vida, Pedro Megre, Diretor Geral

VINCI Energies Portugal, Pedro Afonso, CEO

Vogue Homes, S.A., Joaquim José da Silva Lico, Administrador

Zolve – Logística e Transporte, S.A., Vitor Figueiredo, CEO

Jorge Moreira da Silva, Presidente do Conselho Consultivo do BCSD Portugal

Isabel Ucha, Vice-Presidente do Conselho Consultivo do BCSD Portugal