Não herdámos a Terra dos nossos pais, pedimo-la emprestada aos nossos filhos
4 Dez 2020

No BCSD Portugal, estamos convictos de que, depois da transformação tecnológico-digital em curso, desde o início do século, será a sustentabilidade o maior fator de competitividade das empresas.

“Never before have we had such an awareness of what we are doing to the planet, and never before have we had the power to do something about that.»
Sir David Attenborough, Encontro Anual do World Economic Forum, Davos, 2019

Em 2019, a economia mundial consumiu 100 mil milhões de toneladas de recursos naturais (2), a maioria dos quais não renováveis ou com ciclos longos de renovação, sem os quais não teríamos tido acesso à maioria dos bens de consumo que integram o nosso quotidiano e são fundamentais para o nosso bem-estar, nomeadamente, casas, carros, aviões, comida, roupa, medicamentos, telemóveis, eletrodomésticos, livros, entre tantos outros.

Sendo esses recursos naturais – minérios, madeira, plantas, animais, combustíveis fósseis, entre outros – a base da maioria dos bens que consumimos no dia-a-dia, não será de estranhar que metade do PIB mundial dependa diretamente deles, isto é, de capital natural. Num planeta morto, não haveria nem economia nem empregos.
Mas a natureza não nos proporciona apenas desenvolvimento económico e bem-estar material, ela é também decisiva para a nossa qualidade de vida – por exemplo, ao nos proporcionar o ar que respiramos e a água que bebemos –, e ao regular a temperatura terrestre. Sem estes serviços, não haveria vida na Terra. Por fim, é também uma fonte importante de bem-estar emocional e espiritual.

Apesar da sua importância vital, a verdade é que a natureza ou a biodiversidade (3) estão em sério risco – e o aumento esperado da população mundial irá agravar ainda mais o problema. Os 7,7 mil milhões de pessoas que atualmente habitam na Terra representam apenas 0,01% do peso total de todos os seres vivos (4), mas o seu impacto na biosfera e nos seus ecossistemas é cada vez mais dramático e irreversível.

O ritmo atual de extinção de espécies é dezenas a centenas de vezes superior ao da média dos últimos 10 milhões de anos (5) – e continua a acelerar. Entre a comunidade científica, é consensual que a atividade humana já alterou de forma significativa 75% dos ecossistemas terrestres e 66% dos ecossistemas marinhos (6).

A vida selvagem sofreu um declínio de 60% nos últimos 40 anos (7), mais de metade das florestas e dos recifes de coral já desapareceram e dois terços dos rios estão mortos ou seriamente poluídos. A cada minuto, a deflorestação da Amazónia aumenta três campos de futebol (8). É à luz destes números que se compreende bem o desabafo do historiador Yuval Harari, em A Brief History of Humankind: “Historical records makes Homo sapiens look like an ecological serial killer”.

Este ano, a pegada ecológica da humanidade atingiu o limite da sustentabilidade, ou seja, o seu overshoot day, no dia 22 de agosto (9). Deste então, vivemos a crédito das gerações futuras. Portugal atingiu-o ainda mais cedo, no dia 25 de maio. Desde a década de 1970 que o planeta atinge o overshoot day antes do dia 31 de dezembro, ou seja, há mais de 50 anos que vivemos a crédito das gerações futuras.

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