
Francisco Santos
Head of Sustainability na Highgate Portugal
A saúde do Oceano encontra-se num ponto crítico. Segundo o Sustainable Development Report 2025, o ODS 14 Proteger a Vida Marinha está entre os cinco com pior desempenho global. A taxa média de cumprimento mundial ronda os 45% e nenhum país atingiu as metas. Há desafios persistentes como a poluição marinha e a sobrepesca. Em Portugal registam-se avanços em áreas marinhas protegidas e na governação do mar, mas subsistem lacunas na gestão de stocks e na qualidade ambiental costeira.
O mundo consome cerca de 185 milhões de toneladas de peixe e marisco por ano (média de 20,5 kg per capita). Segundo a FAO, 35,5% dos stocks pesqueiros estão sobreexplorados. A tendência é crescente e preocupante.
Outro problema de dimensão galopante é a poluição por plásticos. Estima-se que existam mais de 170 biliões de partículas de plástico a flutuar no Oceano, equivalentes a cerca de 2,3 milhões de toneladas, que afectam espécies centenas de marinhas e comprometem ecossistemas.
A raiz destes desequilíbrios está na forma como vemos o Oceano: como um recurso infinito, um espaço de usufruto sem responsabilidade. A expressão uma gota no Oceano ilustra bem essa percepção — mas cada gota conta. A saúde do Oceano tem-se deteriorado progressivamente e exige acção imediata.
Na Highgate Portugal, acreditamos que proteger o Oceano é proteger o futuro. Mesmo sem actividades directas no mar, assumimos o compromisso de agir. A sustentabilidade é transversal à nossa organização e a protecção do Oceano é um dos pilares da nossa estratégia.
Criámos um Calendário de Pescado Sustentável, que analisa cerca de 100 espécies segundo critérios de vulnerabilidade e sazonalidade, servindo de referência nos restaurantes dos nossos hotéis para orientar escolhas responsáveis e reduzir a pressão sobre os ecossistemas.
Aderimos ao programa GC for Med, iniciativa do Pacto Global da ONU que mobiliza empresas mediterrânicas para preservar o ambiente marinho.
Participámos como oradores na Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos (UNOC3), onde assinámos o Business Call to Action Land and Sea: A Vital Connection for a Prosperous and Resilient Economy.
Firmámos um Memorando com o Observatório Marinho do Algarve – OMA/CCMar, abrangendo monitorização ambiental, sensibilização, redução de impacto e apoio à investigação científica.
Em 2026 reforçaremos esta missão com acções como:
• envolvimento em acções de voluntariado
• actualização do Calendário de Pescado com base científica, transformando-o numa ferramenta digital e formativa que reforça a credibilidade e o compromisso com a conservação marinha
• análise de oportunidades de compensação com créditos de natureza e créditos de carbono azul
O Oceano não pertence a ninguém, é responsabilidade de todos. Proteger o seu equilíbrio é garantir a resiliência dos ecossistemas, a prosperidade das comunidades costeiras e a esperança das gerações futuras. Na Highgate Portugal iremos continuar a trabalhar pela preservação do Oceano com determinação e responsabilidade.