Do mar à mesa: os desafios da pesca sustentável

Nuno Pinto
ESG Relations – Environment Senior Manager, Jerónimo Martins

A história, a economia e a cultura de Portugal estão profundamente ligadas ao mar e à indústria piscatória – muito antes da fundação do reino, já os romanos salgavam e secavam peixe no território, exportando-o para outras regiões do Império. O peixe é hoje um elemento central na alimentação das famílias portuguesas, e somos um dos países com maior Zona Económica Exclusiva da UE, com direitos de exploração, gestão e conservação dos recursos marinhos.

Estes fatores revelam a importância económica da pesca e reforçam a responsabilidade de toda a cadeia de valor na proteção dos oceanos. No entanto, a pressão sobre os recursos marinhos está a aumentar. A sobrepesca, as cadeias de fornecimento globais, o uso de métodos de pesca que não respeitam os limites biológicos e a pesca ilegal são os principais motivos para a sobre-exploração das espécies. O crescimento da população mundial e a preferência por espécies “populares” – como o atum, salmão e bacalhau – agravam a situação. Além disso, as alterações climáticas afetam a temperatura da água, acidificam os oceanos e destroem habitats, tornando várias espécies mais vulneráveis.

A necessidade de responder à procura ocorre em simultâneo com a necessidade de minimizar a pressão sobre os ecossistemas – um equilíbrio para o qual devem ser adotadas medidas que promovam a sustentabilidade do setor.

Através da rastreabilidade, é possível conhecer a origem e os métodos de captura e produção do pescado, combatendo a pesca ilegal. Por sua vez, as certificações de sustentabilidade procuram autenticar práticas de pesca mais responsáveis, podendo ser mais uma peça da solução.

Como alternativa à pesca selvagem, a aquacultura é estratégica. Produzir peixe e marisco em ambientes controlados garante uma fonte estável de proteína sem recorrer à captura excessiva, permitindo a regeneração dos stocks naturais. Contribui ainda para a diversificação da oferta.

Os governos também devem tomar medidas, como o estabelecimento de quotas de captura e de áreas marinhas protegidas. A colaboração entre governos, indústria e comunidades costeiras é igualmente crucial, para aliar conservação, desenvolvimento económico e segurança alimentar. A eficácia de qualquer ação depende ainda da sensibilização dos consumidores, para que possam fazer escolhas responsáveis.

Ainda que as respostas possam parecer claras, a transição para uma pesca mais sustentável é um processo gradual, que exige planeamento e investimento contínuos.

Como retalhista alimentar, é através da sua Estratégia de Pescado Sustentável que o Grupo Jerónimo Martins assegura que os produtos de pescado fresco, congelado e enlatado de marca própria e perecíveis vendidos em todas as suas companhias não contribuem para a sobre-exploração nem para a extinção das espécies. As medidas aplicadas têm por base a Lista Vermelha da International Union for Conservation of Nature and Natural Resources (IUCN). Nas lojas do Grupo, não são vendidas espécies classificadas como “Criticamente em perigo” e “Em perigo”, exceto se provenientes de aquacultura ou de stocks marinhos geridos de forma sustentável e/ou com certificados (como o selo MSC). Adicionalmente, são colocados limites à promoção de espécies “Vulneráveis”. A disponibilização de mais de 200 opções de peixe e marisco permite diversificar a escolha e reduzir a pressão sobre as espécies mais consumidas.

Integrar práticas responsáveis na estratégia de atuação do retalho alimentar permite garantir alimentos seguros e proteger os oceanos. A pesca sustentável não é uma tendência, mas uma condição para preservar os seus recursos para as gerações futuras.

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