Empresas e Cadeia de Fornecedores

Empresas e Cadeia de Fornecedores

Data da publicação: Out 2020

Margarida Couto, Sócia Sénior da VdA, para a Newsletter Diretrizes da Sustentabilidade – Legislação e standards internacionais | Empresas e Cadeia de Fornecedores | outubro 2020, uma iniciativa conjunta do BCSD Portugal, da PwC e da VdA

Os negócios globais podem ser indiscutíveis motores de crescimento económico, criação de emprego e intercâmbio cultural e tecnológico. De igual modo, a cadeia de valor de uma empresa responsável tem condições de ser profundamente benéfica para o desenvolvimento sustentável e promotora de uma mudança positiva, sem fronteiras. As evidências disponíveis demonstram porém que, à medida que as cadeias de fornecedores e de abastecimento crescem e se tornam progressivamente mais complexas e globais (especialmente aceleradas por uma galopante digitalização dos mercados), os riscos de disseminação de impactos nocivos para o ambiente, para as pessoas e as para comunidades locais aumentam de forma exponencial. E, se há realidade que o caráter extraordinário do ano 2020 vem reiterando, é a de que, no final do dia, estamos mesmo todos ligados – fazer dessa ligação, nomeadamente da que, todos os dias, é estabelecida entre as empresas e a sua cadeia de fornecedores, um fator criador de impacto positivo ou negativo, é uma escolha que tem consequências tão relevantes, que não podem ser ignoradas por nenhuma empresa responsável que almeja ser sustentável e próspera no longo prazo.

Atualmente, a conformidade das cadeias de fornecimento com a legislação aplicável e com as melhores práticas internacionais tornou-se fulcral no alcance de uma globalização inclusiva, justa e sustentável. Na prática, as empresas de hoje (de todos os tamanhos, geografias, sectores ou indústrias), deparam-se com o sério desafio de manter as suas cadeias de fornecimento isentas de contactos com situações potencialmente deflagradoras de tragédias sociais e ambientais, especialmente as empresas que operam em (ou importam de) países em desenvolvimento. O tráfico humano, o trabalho infantil e a escravatura moderna são infelizmente apenas meros exemplos de graves e intoleráveis violações de direitos humanos que, lamentavelmente, e apesar do enorme esforço desenvolvido por muitas organizações de índole corporativa, ainda permeiam as cadeias de fornecimento de empresas que se pretendem afirmar como responsáveis e sustentáveis. Esta situação torna cada vez mais urgente o cumprimento do dever de diligência devida (due diligence), estabelecido pelos UN Guiding Principles on Business and Human Rights aprovados pela ONU, em 2011. Potencialmente, estes e outros exemplos (incluindo ao nível do passivo ambiental subjacente ao atingimento de resultados financeiros aparentemente muito positivos à custa de destruição de “capital natural”) ocorrem em qualquer nível da cadeia de valor de uma empresa – desde a primeira linha de fornecedores diretos de bens e serviços, à importação de matérias primas, passando pela atividade de terceiros subcontratados.

Nas palavras de Paul Polman, “Human rights are the foundation of a healthy society and a sustainable business”. Para além de promover o desenvolvimento sustentável da comunidade global (e local), a gestão da cadeia de fornecedores de forma alinhada com as melhores práticas de sustentabilidade social e ambiental tem impacto (positivo ou negativo) no negócio das empresas. Neste contexto, aquelas que compreenderem, abordarem e evitarem riscos ambientais e sociais de forma holística – ou seja, que integrarem medidores de impacto nas dimensões people planet, e não apenas na vertente profit – adquirirão, crescentemente, uma vantagem competitiva nos mercados em que operam.

É assim indiscutível que, ao executarem um processo de implementação do dever de diligência devida na sua cadeia de fornecimento, as empresas podem detetar riscos e adquirir um conhecimento acrescido das consequências, tantas vezes inesperadas, das suas operações. Consequentemente, e à medida que as conclusões deste processo de due diligence são institucionalizadas internamente, a exposição das empresas a potenciais custos reputacionais, jurídicos e financeiros é reduzida, traduzindo-se em benefícios a longo prazo. Exemplos destes benefícios são, entre outros, a atração de investidores, a captação e retenção de talento, e, bem assim uma posição comercial privilegiada junto dos consumidores, cada vez mais atentos (e bem!), ao impacto ambiental e social das empresas de que pretendem continuar a ser clientes.

Nesta quarta edição da newsletter, encontram as diretrizes necessárias para começarem ou aprofundarem, consoante o caso, o vosso processo de implementação do dever de diligência devida na cadeia de fornecedores da vossa empresa, sendo certo que, para dar início a esta jornada, mais vale tarde do que mais tarde!

Boas leituras!

Margarida Couto, Sócia Sénior da VdA

2020-10-28T15:17:23+00:00
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