Financiamento e investimento sustentável – do verde ao azul

Um dos setores onde as oportunidades se têm tornado mais evidentes é o blue finance, dedicado a financiar a economia do mar, em particular a economia azul sustentável.

A expressão “doing well by doing good” nunca foi tão bem aplicada ao setor financeiro como agora, com o crescimento do financiamento sustentável nos seus aspetos climático, social e governance. São claras as enormes oportunidades na transformação para um mundo mais sustentável, cuja urgência foi sublinhada no Sexto Relatório de Avaliação do IPCC. Um dos setores onde as oportunidades se têm tornado mais evidentes é o blue finance, dedicado a financiar a economia do mar, em particular a economia azul sustentável.

Para enquadrar, recordamos que o oceano representa mais de 70% da superfície terrestre e que mais de três mil milhões de pessoas dependem da biodiversidade marina e costeira. Além disso, absorve cerca de 30% do dióxido de carbono produzido pelos humanos. A economia dos oceanos abrange setores económicos dos mais tradicionais aos mais inovadores- alimentação, transporte, energia do oceano, bioeconomia e biotecnologia. Em 2016, a OCDE projetou que, num cenário de “business-as-usual”, a economia do mar poderia duplicar a sua contribuição para o valor acrescentado global, atingindo mais de 3 triliões de dólares. Em Portugal, com uma das mais extensas zonas económicas exclusivas e vasta biodiversidade marítima, a oportunidade é mais evidente. O oceano pode ser fonte de alimentação, energia limpa e empregos, e um pilar essencial para o crescimento sustentável. Em Portugal a economia azul representa cerca de 5% das exportações e do PIB e 4% do emprego – sendo relativamente unânime que este número pode duplicar.

O investimento na economia azul já motivou programas de financiamento, fundos de investimento dedicados a aceleradores com montantes consideráveis, participação de capitais públicos, e visa atrair também capital privado de investidores institucionais alinhados com as prioridades climáticas. Destaca-se, pela sua atualidade e montante, o anúncio feito pela Comissão Europeia e pelo BEI sobre a mobilização de 500 milhões de euros para a economia azul, investidos através de capital de risco. Foi também anunciado em Portugal investimentos de 87 milhões de euros, no âmbito do PRR, em centros de investigação e desenvolvimento.

A contribuir para o crescente foco no investimento azul, em junho, Lisboa acolhe a Conferência dos Oceanos, evento mundial organizado pelas Nações Unidas, com um dia dedicado à economia dos oceanos, sendo mais uma oportunidade de Portugal expor o seu potencial e tornar 2022 no ano de viragem em direção ao oceano.

Perante a urgência climática, e as oportunidades apresentadas na economia azul, num país como Portugal, não podemos ignorar que o crescimento para a economia azul sustentável, investindo na conversão dos setores tradicionais em negócios sustentáveis e carbon neutral e no desenvolvimento de novos negócios tecnológicos e inovadores, será fulcral, não só para a nossa sobrevivência, como também para o crescimento económico. Doing well by doing “blue” nunca foi tão necessário.

 

 

Autores: Equipa PLMJ

Raquel Azevedo, sócia nas áreas de Bancário e Financeiro e Mercado de Capitais e Inês Crispim, associada nas áreas de Bancário e Financeiro e Mercado de Capitais.

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