Questionário Proust a Susana Batel

Susana Batel é investigadora em Psicologia Social e Organizacional, com doutoramento pelo Iscte. Foi bolseira de pós‑doutoramento no CIS-Iscte, onde é investigadora integrada desde 2019. O seu trabalho centra‑se na relação entre representação, identidade, poder e participação pública em questões ambientais, especialmente energias renováveis. Os seus interesses incluem também ação coletiva e práticas democráticas.

Que comportamento sustentável adotou há mais tempo? E porquê? 
Caminhar, sempre que possível, porque também nos ajuda a pensar nas nossa relação com o planeta.

Como explicaria a uma criança de 5 anos o que faz na sua profissão?
Procuro perceber como podemos cuidar mais e melhor uns dos outros, incluindo do nosso planeta e de outros animais que habitam connosco.

No seu trabalho, qual é o contributo para a sociedade, e/ou para a natureza, de que mais se orgulha?
Pensar criticamente o que é natural, o que sustentável, o que é justo, contestando ideias e práticas conservadoras.

Que cheiro lhe traz memórias nostálgicas?
O cheiro do anoitecer no Verão.

Se pudesse escolher qualquer pessoa (viva ou não) para jantar, quem convidaria e porquê?
Angela Davis, escritora e ativista afro-americana feminista marxista queer – porque o futuro tem que ser assim.

Que cara gostaria de ver numa nota de dinheiro?
Cara de extinção.

Se não vivesse onde vive, em que cidade gostaria de morar, e porquê? 
Definitivamente não onde vivo agora, na Lisboa de Moedas, com todas as suas crises, de habitação, de mobilidade, de dignidade. Talvez Barcelona, apesar de tudo, no atual contexto político, ainda parece um dos poucos sítio habitáveis, veremos até quando.

Que livro, filme, peça ou disco mudou a sua vida, e porquê?
Recentemente, Caruncho de Layla Martinez, porque consegue dar conta, como nenhum outro livro que tenha lido antes, da experiência vivida de classe social, de se ser pobre e de se viver em ditadura, e de como isso tem impactos geracionais que procuram ser perpetuados pelas elites.

Se a sua casa começasse a pegar fogo, o que salvaria e porquê?
Nada, seria bom recomeçar de novo com o mínimo de coisas possível, levando só memórias e afetos.

Se pudesse mudar algo na política social do seu país, o que seria?
Atualmente, quase tudo. Desparecer com tudo o que alimenta o patriarcado, a extrema direita, o ultraliberalismo, a falência do SNS, a inexistência do direito a habitar.

Qual é a sua definição de uma sociedade justa e inclusiva?
Uma sociedade em que todes nos respeitemos e possamos ter vidas dignas e livres.

Que superpoder gostaria de ter para salvar o planeta e por onde começaria?
Empatia, podíamos começar por qualquer lado.

Qual a sua maior irritação e a sua maior alegria?
A maior irritação: pessoas que se levam demasiado a sério; a maior alegria: a anti-normatividade.

Qual a virtude mais sobrevalorizada? E qual a mais subvalorizada? E porquê?
A mais sobrevalorizada, a conformidade, e a mais subvalorizada, o cuidado, por tudo o que já disse antes.

Como gostaria de ser lembrada no futuro?
Como alguém que tentou sempre criar relações e comunidades mais progressistas, e dança sempre que pode.

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