Mensagem para começar o ano de 2027

Eduardo Moura
Sustainability Senior Lead Expert na EDP

Com intervalos de poucas semanas, um novo acontecimento disruptivo, regional mas global, sobrepõe-se a outro, e anuncia a chegada de mais outro, para breve. São sinais fortes de perigo, não devem ser desprezados. Estamos em 2026.

Contexto de instabilidade e incerteza

Viragens bruscas, sucessivas, de grande escala, de matriz destrutiva, exigem prudência e contenção por parte dos agentes económicos. Mas também os sinais fracos, pequenas mudanças, muitas vezes sem aparente expressão, mas mais próximos, mais internos, devem ser compreendidos e valorizados.

É tempo de cautela. É imperativo refletir sobre o que pode correr mal neste ano de 2026. É avisado esperar, no mínimo, um desequilíbrio nas políticas e nos mercados, prejudicando, com gravidade, a vida das empresas e das comunidades. Todos têm de se colocar em estado de alerta e preparar respostas para as emergências.

O papel da sustentabilidade

Sendo assim, o que pode acontecer à Sustentabilidade na estratégia das empresas? Em que calendário, com que meios e importância, fica a descarbonização, a circularidade, a natureza, o bem-estar humano, a ética? A Sustentabilidade ficará adiada, em compasso de espera?

De outra maneira, mais interessante, qual o significado e utilidade da Sustentabilidade para os pilotos que conduzem as empresas e para os capitães que as administram? Será que a Sustentabilidade é uma bússola, mas não chega a ser um leme? De que serve, como serve, para que serve a Sustentabilidade em tempo de tempestade?

Esta é uma pergunta antiga, mas só agora a podemos formular com toda a plenitude de audiência e contexto. Na medida em que só agora, com a aproximação da tempestade, todas as partes interessadas a compreendem, em simultâneo.

Alguém dirá, sabiamente, que não sendo leme, uma bússola não perde a sua função de orientação para o leme. Piloto sem capitão, leme sem bússola, é que não. E terá razão. Mas também se dirá que bússola sem leme de nada serve. E haverá razão.

Curiosamente, conhecer se sendo bússola, a Sustentabilidade também funciona como leme, é uma pergunta a que não devemos, nem podemos, responder, por enquanto. Simplesmente, porque a resposta tem de ser construída, exige recursos, um plano e experimentação. O que pede o seu tempo. E pede as pessoas certas.

BCSD Portugal na liderança do debate

Seguramente, o BCSD Portugal estará capaz de construir este debate e reflexão. Pois tem a caixa das ferramentas da Sustentabilidade e o saber experimentado no dia a dia das empresas. Tem peso no tecido empresarial, tem influência na formação das ideias, tem querer. Tem as empresas certas e as pessoas certas, e ainda, tem capacidade para chamar mais empresas e convocar mais saberes. Pode liderar. Deve liderar.

Muitas vezes, a pergunta que levantamos contém, em si, a resposta que precisamos. Mas não é indiferente o caminho que a pergunta segue até encontrar a resposta, pois a pergunta tem de pertencer a todos, e a resposta deve ser construída por todos.

Será verdadeiramente excelente, se daqui a um ano, na mensagem de Bom Ano de 2027, já tivermos encontrado a resposta e a pudermos anunciar.

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