O objetivo do sistema financeiro está errado
8 Mar 2016

Quais são os objetivos do sistema financeiro global? O sistema está a funcionar ou está falido? O que está errado no sistema financeiro global? As empresas com resultados positivos serão sustentáveis? “O objetivo do sistema financeiro está errado. O objetivo do lucro e do dinheiro tem de dar lugar ao objetivo do desenvolvimento sustentável”, defendeu Rodney Irwin, Managing Director, Financial Capital Focus Area do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), num dos workshop do programa de formação do BCSD – Future Leaders.

Rodney Irwin começou por enquadrar o sistema financeiro atual na globalização que vivemos. Recuando apenas ao início do século, no ano 2000, as Nações Unidas criaram os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, que em 15 anos, tinham como foco o equilíbrio de problemas sociais localizados em países subdesenvolvidos. Em paralelo, no decorrer destes 15 anos, as alterações climáticas começaram a fazer-se sentir. Os problemas sociais locais deram origem a problemas sociais e ambientais globais.

Foram então criados, no ano passado, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que vêm substituir os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e que apelam a uma grande intervenção das empresas, ao incluírem metas relacionadas com o capital natural e com o capital social. “Esta nova realidade tem de ser interiorizada pelas empresas, que passam a ter de definir os benefícios e os valores com que contribuem para a sociedade”, comentou Rodney Irwin.

Na opinião de Rodney, a informação financeira atual disponibilizada pelas empresas não é suficiente e tem de ser repensada. Os resultados positivos das empresas têm apenas uma perspetiva financeira, mas não refletem as perdas reais. Apesar de, legalmente, as empresas não serem obrigadas a reportar outros valores, há uma discrepância entre o que as empresas reportam e o que deveriam reportar. O mundo mudou, vai continuar a mudar e o sistema financeiro ainda não se conseguiu adaptar à nova realidade.

A pergunta que temos de colocar é a seguinte: a informação que as empresas produzem traduz a interação e interdependência entre os fatores que afetam ou beneficiam a criação de valor a longo prazo?”, questionou Rodney.

A verdade é que a informação sobre o planeta e sobre as pessoas não tem espaço na informação financeira, mas na maior parte das vezes, tem impacto muito positivo nas empresas. A informação sobre estratégia e governance também tem de ganhar espaço. A produção desta nova informação, além de servir de suporte a tomada de decisões, revela uma visão de futuro baseada em áreas-chave para as empresas, como a cadeia de valor ou os serviços dos ecossistemas. Os dois sistemas atuais – financeiro e não financeiro – não interagem entre si, nem têm objetivos alinhados.

A oportunidade a que assistimos passa por cruzar e tornar os dois sistemas num único, que teria como objetivo a criação de valor sustentável e o desenvolvimento”, referiu Rodney Irwin. As empresas que já estão a trilhar o caminho de unir o sistema financeiro com o não financeiro estão mais conscientes da gestão de risco, tomam decisões mais fundamentadas, são mais transparentes e têm uma visão sustentável de longo prazo.

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