Os desafios da década 2030 – Altri
28 Out 2021

Entrevista a José Soares Pina, CEO Altri SGPS

 

Quais considera ser as prioridades da década em termos de sustentabilidade?

O mundo tem-nos dito de forma muito clara que a sustentabilidade não é opcional, seja ela a nível ambiental, económico ou social. No último ano de pandemia, com a obrigatória prioridade ao social – pela saúde de todos – ficou a nu a relação entre a atividade humana e a saúde do planeta. Se em 2020 desacelerámos o impacto humano no meio ambiente, urge agora acelerar rumo aos compromissos de impacto a longo prazo. Por isso, a evolução das grandes tendências do mundo atual exige-nos um enfoque cada vez maior no desenvolvimento de uma bioeconomia sustentável. A Europa, em particular, lidera este movimento, com as empresas e os consumidores cada vez mais cientes da necessidade de transição de uma economia linear para uma circular. Da passagem de uma economia baseada em materiais de origem fóssil e matérias-primas finitas, para materiais de origem renovável e reciclável, e em especial neutros em carbono.

O que está a sua empresa a fazer, ou planeia fazer, para ser mais sustentável nos próximos anos?

A Altri fez nos últimos anos investimentos significativos para ter operações eficientes, seguras e sustentáveis nas diversas componentes da sustentabilidade. No entanto, sentimos necessidade de nos comprometermos a outro nível e contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) definidos na Agenda Mundial 2030. Esta foi a base para o desenvolvimento do nosso Compromisso 2030. Destaco por exemplo, o compromisso de redução das emissões de gases com efeito de estufa, com um objetivo de redução de 60% das emissões de âmbito 1 e âmbito 2, assim como a meta de redução do uso específico de água em que a Altri é já hoje uma referência Mundial, mas pretende ir ainda mais longe, com uma redução de 50% até 2030.
Ambicionamos também, até 2030, consumir 100% de energia renovável nas nossas unidades industriais e para isso temos em curso um investimento de cerca de 40 milhões de euros – Projeto Caima Go Green – que permitirá à nossa fábrica da Caima ser independente de combustíveis fósseis, posicionando-se como a primeira da Península Ibérica e uma das primeiras unidades na Europa livre de combustíveis fósseis. No vetor social, firmamos o compromisso de duplicar o número de mulheres em posições de liderança e de caminhar no sentido de atingir zero acidentes nas nossas operações.
No que diz respeito aos ativos florestais da Altri – certificados FSC® & PEFC™ – temos o objetivo de aumentar para 80% o uso de Madeira com certificação de gestão florestal e duplicar a área sob gestão de conservação natural até 2030. Outro ponto que priorizamos é a criação de 13 estações de biodiversidade e biospots.

De 0 a 10, quão confiante está de que vamos atingir as metas para a década? Porquê?

Acredito que o Compromisso 2030 da Altri se traduz num forte 10 quanto à nossa confiança nas metas para a década, mas acima de tudo a responsabilidade e empenho que assumimos como parte integrante da solução. A Altri estabeleceu, em 2020, o Grupo Consultivo para a Sustentabilidade, que além de definir e acompanhar esta estratégia, tem a preocupação de garantir o alinhamento com os objetivos de desenvolvimento sustentável definidos na agenda das Nações Unidas e com os resultados das auscultações aos stakeholders. Entendo que a indústria das fibras celulósicas deve ser acarinhada e desenvolvida pelos portugueses, porque é uma indústria que dá cartas mundialmente e a matéria-prima que transforma é das mais versáteis ao nível global. O setor em Portugal está a criar uma verdadeira economia circular e uma bioeconomia mais sustentável. Este Compromisso representa, por isso, a reafirmação pública do nosso empenho junto de todos os stakeholders em investir na Sustentabilidade como fator de competitividade e diferenciador da nossa proposta de valor.

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