Os desafios da década 2030 – Corticeira Amorim
26 Out 2021

Entrevista a António Rios de Amorim, Presidente e CEO Corticeira Amorim

 

Quais considera que serão as prioridades da década em termos de sustentabilidade?

Os desafios do planeta vão desde a emergência climática à crise da natureza ou ao aumento da desigualdade. O setor privado tem um papel determinante na concretização das metas de desenvolvimento sustentável na próxima década. Da mesma forma, precisa fazer um balanço dos seus esforços e identificar as próprias áreas prioritárias onde poderá ter maior impacto. Na nossa perspetiva, aumentar o papel da floresta e dos produtos de base florestal é fundamental para alcançar tais objetivos. A natureza pode fornecer soluções eficazes e escaláveis para a mitigação e adaptação às alterações climáticas. E não só na redução do risco de ocorrência de eventos extremos, degradação ambiental e perda de biodiversidade, mas também no desenvolvimento económico e social, na saúde humana, na segurança alimentar ou na segurança hídrica. São necessárias políticas adequadas para abordar as medidas de mitigação e adaptação, e para enviar os sinais corretos que possibilitem a promoção de projetos e produtos que valorizem os serviços dos ecossistemas que as florestas prestam à sociedade. Nomeadamente, as florestas de espécies de crescimento lento que, para além do sequestro de carbono, permitem a sua retenção por longos períodos de tempo.

 

O que está a sua empresa a fazer, ou planeia fazer, para ser mais sustentável nos próximos anos?

A Corticeira Amorim lançou em 2018 o programa “Sustentável por natureza” que envolve toda a organização. Temos a missão de acrescentar valor à cortiça de forma competitiva, diferenciada e inovadora, em perfeita harmonia com a Natureza. Focamo-nos em oito grandes objetivos: floresta, alterações climáticas, economia circular, produtos verdes, formação e desenvolvimento, saúde e segurança, sociedade e inovação. Este programa prevê várias iniciativas, entre as quais um investimento de mais de 10 milhões de euros em painéis fotovoltaicos para a geração de energia destinada ao autoconsumo que permitirá reduzir substancialmente as nossas emissões. Por outro lado, queremos ter um papel a desempenhar no restauro do montado de sobro, imprescindível para que se possa continuar a usufruir não só da cortiça, mas também de outros serviços dos ecossistemas. Seja a regulação climática ou do ciclo hidrológico, seja a manutenção da biodiversidade. A economia circular é outra aposta. Dispomos de uma fábrica dedicada à investigação e desenvolvimento de inovadores produtos que têm a cortiça e a economia circular no seu epicentro, e criamos linhas de produção que valorizam subprodutos de outras indústrias, combinando-os com as credenciais técnicas e vantagens ambientais da cortiça. Temos vindo a fazer esse trabalho já há algum tempo com sucesso. No aspeto social, desde 2019 que desenvolvemos um plano ambicioso para a igualdade com objetivos relacionados com o reforço da presença de mulheres no universo de colaboradores e em cargos de chefia. Também na saúde e segurança no trabalho está em curso um programa exigente onde nos propomos criar condições para que, a partir de 2024 inclusive, não haja qualquer acidente de trabalho nas nossas instalações.

 

De 0 a 10, quão confiante está de que vamos atingir as metas para a década? Porquê?

A nossa confiança é de 10. Acreditamos num futuro sustentável e numa economia global “positiva para o Homem e para a natureza”. Isto só depende da nossa capacidade de atender às necessidades das pessoas de alimentos, água e energia, ao mesmo tempo em que fazemos mais para proteger a natureza. Muitos presumem que os objetivos económicos e os ambientais estão em conflito. A cortiça e a atividade que desenvolvemos constituem um exemplo de que esta perceção não está correta – o contínuo investimento em investigação, desenvolvimento e inovação é uma forma de descobrir e valorizar caraterísticas e aplicações da cortiça, criando assim novos produtos e soluções de base natural, com grande valor acrescentado e que ao mesmo tempo criam riqueza, emprego e contribuem para a manutenção da natureza. Investir no conhecimento, na criatividade e na inovação, não apenas no desenvolvimento de novas tecnologias, mas também na forma como fazemos as coisas, é fundamental. Isto inclui novos modelos de negócio e novas cadeias de valor, colaboração global e incentivos para garantir que as soluções são aplicadas para efetivamente resolverem problemas e desafios.

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