Os desafios da década 2030 – Fidelidade
26 Out 2021

Entrevista a Rogério Henriques, CEO Fidelidade

Quais considera ser as prioridades da década em termos de sustentabilidade?

Todas as questões relacionadas com a sustentabilidade ambiental e a transição ecológica, com o impacto que terão junto das populações dos quatro continentes e doze países onde temos operações, estão no topo das nossas preocupações. Mas não podemos esquecer as questões demográficas, e os problemas relacionados com a longevidade e as suas implicações no tecido social, quer nas questões relacionadas com a saúde, quer nas questões relacionadas com a vida financeira. É uma equação muito complexa de resolver.

Na Fidelidade há muito tempo que definimos que as alterações climáticas devem estar no topo das nossas preocupações, nomeadamente os desastres naturais e o impacto que têm nas populações. Devemos, pois, contribuir para sua prevenção e melhorar a forma como atuamos quando acontecem. Para isso, contribuímos para o estudo dos principais riscos, ajudando a definir as politicas de prevenção e mitigação mais adequadas. Contribuímos, também, para a redução do gap entre os valores seguros e seguráveis, através da avaliação criteriosa dos riscos dos nossos clientes, propondo coberturas mais adequadas.

Estamos muito expectantes em relação ao resultado da COP 26, que será a reunião internacional mais importante relacionada com o clima desde o Acordo de Paris. Será o primeiro teste da implementação do Acordo de Paris, adotado em 2015. Prevê que os Estados apresentem Novas Contribuições Climáticas (NDCs) a cada cinco anos. E o primeiro prazo para essa sucessão de ambição ocorrerá durante a COP26. É preciso haver consenso e compromissos fortes para que seja possível limitar a temperatura a +1,5°C.

 

O que está a sua empresa a fazer, ou planeia fazer, para ser mais sustentável nos próximos anos?

Dividiria a nossa atuação em três pilares, que apesar de complementares, são distintos. O primeiro, com a adoção, a vários níveis, de políticas internas mais sustentáveis; o segundo, com a indução de comportamentos mais sustentáveis nos nossos clientes, colaboradores e parceiros de negócio; e o terceiro, com a continuação de uma política de responsabilidade social muito ativa e alicerçada em cima do nosso prémio Fidelidade Comunidade.

No primeiro, internamente, estamos a rever o impacto das nossas atividades, e iremos apresentar no curto prazo um plano ambiental ambicioso e de longo prazo, integrado nas nossas operações, com vista à redução e à compensação da nossa pegada ambiental. Estamos a implementar processos e modelos de negócio mais circulares e o nosso compromisso com a sustentabilidade implicará também a criação e adoção de produtos e serviços também eles mais sustentáveis.

Por outro lado, os nossos planos de investimento serão influenciados definitivamente por esta consciência de necessidade de sustentabilidade e refletirão as políticas que adotaremos também enquanto investidores institucionais. A Fidelidade é um dos mais importantes investidores institucionais portugueses tendo uma carteira de investimento que ronda os 17 mil milhões de ativos sob gestão. Também a escolha da tipologia desses investimentos será impactada por esta consciência.

Para além deste alinhamento do negócio, em torno da sustentabilidade, temos previstas várias ações de sensibilização e mobilização junto dos nossos colaboradores que serão os nossos embaixadores neste domínio.

Mas talvez a maior evidência do nosso compromisso com um futuro mais sustentável, é o trabalho que estamos a fazer com os nossos clientes e parceiros comerciais, induzindo comportamentos também eles mais sustentáveis.

Um dos exemplos do que já estamos a fazer é o nosso programa Multicare Vitality, um programa que recompensa os nossos clientes de saúde por adotarem estilos de vida e comportamentos mais saudáveis; ou o projeto ALÔ by Fidelidade que é uma solução inovadora que combina um tablet com uma interface fácil e intuitiva, uma aplicação para o cuidador e acesso a serviços de assistência ao domicílio, ajudando os idosos a ficarem mais seguros e por mais tempo nas suas casas; ou o caso do Fidelidade Drive, uma aplicação gratuita para clientes com seguro automóvel Fidelidade que ​ permite aos clientes melhorarem alguns aspetos da sua condução, contribuindo assim para  redução da sinistralidade e para um menor consumo de combustível, por exemplo, enquanto ganham pontos que podem ser trocados numa rede de parceiros.

Tentaremos alargar progressivamente esta lógica, esta consciência ambiental, à nossa cadeia de valor, nomeadamente inspirando clientes, parceiros, fornecedores, e a sociedade em geral, a adotar comportamentos mais sustentáveis.

E o futuro da Fidelidade continuará a ser marcado por este compromisso com a sustentabilidade, nomeadamente com a aposta que estamos a fazer na construção da nossa nova sede em Entrecampos. Vai ser um edifício muito ambicioso do ponto de vista ambiental e estamos a trabalhar para atingirmos a certificação internacional LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), certificação essa que garantirá que o edifício será state of the art em termos energéticos e ambientais. Simultaneamente, certificaremos a nossa nova sede como WELL, uma certificação que garantirá que a nossa sede será desenhada de uma forma que impactará positivamente a saúde e o bem-estar de todos os seus utilizadores, colaboradores ou não da Fidelidade.

Por último, mas não menos importante, a Fidelidade tem feito um longo caminho no apoio ao terceiro sector com o prémio Fidelidade Comunidade, que tem como missão promover o fortalecimento do setor social, através do investimento nas instituições que atuam na inclusão social de pessoas com deficiência ou incapacidade, prevenção em saúde e envelhecimento, áreas que integram a essência dos impactos da atividade seguradora: a proteção das pessoas, do património e da atividade económica, no presente e no futuro. Com um valor de 750 mil euros e periodicidade bienal, o Prémio Fidelidade Comunidade foi lançado em 2017 e premiou já dezenas de instituições por todo o país, apoiando os seus projetos ou a sua capacitação.

 

De 0 a 10, quão confiante está de que vamos atingir as metas para a década? Porquê?

 Estou confiante que todos os intervenientes têm a consciência que não há tempo a perder e que não há de facto um Plano B. Se vamos ou não atingir as metas enquanto sociedade, não sei. Não sou futurólogo. Do lado da Fidelidade o que posso garantir é que tudo faremos para ajudar a construir um futuro melhor para todos. Um futuro mais justo e mais sustentável. Temos essa obrigação enquanto empresa.

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