Os desafios da década 2030 – Galp
15 Nov 2021

Entrevista a Andy Brown, CEO Galp 

Quais são as prioridades da década em termos de sustentabilidade?

Endereçar as alterações climáticas deve sem dúvida ser a prioridade número um desta década Precisamos não só de reduzir significativamente as nossas emissões de CO2 e metano, mas também de realizar progressos significativos na comercialização de novas soluções energéticas, tais como o hidrogénio e combustíveis de hidrogénio e a captura e armazenamento de carbono.

A maior adoção de soluções elétricas no transporte ligeiro, na instalação de bombas de calor e outras aplicações serão também cruciais. Será necessária uma penetração muito mais profunda das energias renováveis no sistema elétrico em todo o mundo e uma mudança de infraestruturas em casa, no escritório e na estrada. Mas ao mesmo tempo temos de fazer progressos significativos na gestão da biosfera, no corte das atividades de desflorestação e na aposta na agricultura sustentável gerindo simultaneamente o impacto destas mudanças.

São passos que vão exigir que os Governos estimulem e incentivem a inovação, abordem a mudança de infraestruturas e acelerem a aprovação das licenças necessárias para a implantação dos projetos de energias renováveis. Estes são movimentos  que ainda demoram demasiado tempo.

As empresas terão de desempenhar um papel central na afetação de capital, investindo na inovação e em novas soluções energéticas, muitas vezes à frente da procura do cliente e assegurando que os consumidores estejam plenamente conscientes das escolhas que fazem.

Mas, fundamentalmente, a procura e os padrões de consumo devem mudar. Não é positivo para as empresas de combustíveis fósseis deixarem de produzir quando os clientes ainda possuem automóveis convencionais e exigem combustível, ou possuem caldeiras de gás para aquecer as suas casas. Isso irá apenas criar uma crise energética. São os clientes e o público que terão de liderar a transição. Mudando as suas escolhas em termos de como viajam, como aquecem as suas casas e até mesmo o que comem. São alterações que devem ser percecionadas como precursoras de um novo sistema energético que continuará a ter uma pegada, se bem que diferente.

O papel das Empresas e do Governo será o assegurar escolhas ambientalmente sustentáveis que sejam acessíveis e convenientes.

 

O que está a sua empresa a fazer, ou planeia fazer, para ser mais sustentável nos próximos anos?

Na Galp, estamos conscientes da importância de desenvolver e fomentar novas e sustentáveis formas de fazer negócio. E o nosso objetivo para esta próxima década é claro: continuaremos a crescer e a descarbonizar, lançando uma base sólida para um futuro sustentável a longo prazo.

O nosso objetivo é sermos simultaneamente dinâmicos, oferecendo soluções inovadoras de energia limpa, mas também uma empresa que se preocupa com as pessoas e com o planeta. O nosso propósito recentemente renovado é “Juntos vamos regenerar o futuro”. Isto significa investir metade do nosso CAPEX líquido nos próximos cinco anos (2021- 2025) em soluções de carbono zero.

A Galp desenvolveu uma estratégia que, até 2030, prevê não só que a nossa capacidade operacional renovável atinja os 12 GW, mas também a construção de um negócio de classe mundial de Hidrogénio Verde utilizando 1 GW de capacidade de eletrolisadores, a integração de biocombustíveis e combustíveis aeronáuticos sustentáveis na nossa refinaria de Sines, enquanto a desempenhar um papel importante na Cadeia de Valor das Baterias.

Além disso, estabelecemos objetivos de descarbonização muito claros e ambiciosos para 2030, alinhados com o nosso plano estratégico, de: reduzir as nossas emissões absolutas de operações (âmbito 1 e 2) em 40%, reduzir a nossa intensidade de carbono de produção em 40%[1], e reduzir a nossa intensidade de carbono de vendas em 30%. Estes objetivos fazem parte da ambição da Galp de atingir Zero Emissões Líquidas (âmbitos 1, 2 e 3) até 2050 e estão alinhados com as premissas do plano estratégico da Galp.

Queremos ser líderes na nossa indústria rumo a um futuro sustentável. A nossa intenção é empenhar-nos num forte plano de crescimento, tanto em negócios tradicionais como em novos negócios, ao mesmo tempo que descarbonizamos os produtos que produzimos e vendemos.

 

De 0 a 10, quão confiante está de que vamos atingir as metas para a década? Porquê?

Cumprir os objetivos da década é um dever, e não apenas uma opção, por isso definitivamente 10. No entanto, vai ser um desafio e temos muito trabalho árduo pela frente. Como empresa responsável “we walk the talk”, promovendo comportamentos e soluções sustentáveis, ou seja, conduzimos verdadeiramente o negócio de uma forma sustentável.

Mas esta deve ser uma transição energética que gere a mudança de forma coordenada e ordenada, sem crises e sem polarização. Precisamos de um ambiente que permita a empresas progressistas como a Galp com as competências necessárias fazer uma enorme diferença nas novas soluções energéticas, em particular para setores difíceis de eliminar.

A comunidade de investidores não está a recompensar as empresas como a Galp desde que assumimos compromissos ousados de mudança. As comunidades financeiras estão também a começar a virar-se contra as empresas tradicionais de petróleo e gás, mesmo que estas tenham uma agenda de mudança significativa. Este tipo de polarização não está a ajudar o movimento de transição energética.

Fundamentalmente, acredito que o mundo está a criar um “momentum” para apresentar soluções que combatam as alterações climáticas. Isto ainda não levou à redução das emissões de CO2, mas a redução seguir-se-á desde que, em primeiro lugar, todos nós continuemos empenhados em inovar e implementar, em segundo lugar, asseguremos que o Governo, as Empresas e a Sociedade se movimentem como um e, em terceiro lugar, asseguremos que todas as regiões do Mundo se comprometam a avançar numa direção comum.

[1] 2017 como ano base

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