Os desafios da década 2030 – Jerónimo Martins
26 Out 2021

Entrevista a Pedro Soares dos Santos, Presidente e Administrador-Delegado do Grupo Jerónimo Martins

Quais considera que ser as prioridades da década em termos de sustentabilidade?


Atendendo à natureza alimentar da nossa atividade e ao facto de dois dos nossos três palcos de operações estarem localizados na Europa, as nossas prioridades para esta década estarão centradas na concretização da estratégia europeia “Do prado ao prato” e em dar passos decisivos para contribuir para a meta de a Europa ser o primeiro continente neutro em carbono em 2050.
Fora do espaço europeu, pretendemos igualmente participar no processo de transição energética e no combate à desflorestação na Colômbia, país onde temos a nossa cadeia Ara e que também já definiu metas de neutralidade carbónica até 2050.

 

O que está a sua empresa a fazer, ou planeia fazer, para ser mais sustentável nos próximos anos?

A nossa estratégia é clara: queremos continuar a fazer crescer os nossos negócios de forma sustentável e isso passa por trabalharmos no âmbito dos nossos cinco pilares de responsabilidade corporativa. Do combate ao plástico de utilização única à promoção da saúde pública através de produtos com perfis nutricionais mais equilibrados, os objetivos a que nos propomos podem ser consultados no nosso website, têm métricas bem definidas e guiam a nossa atuação maioritariamente em períodos de três anos. Acredito que o rigor e a transparência da comunicação têm sido determinantes para o reconhecimento internacional das nossas políticas e práticas de sustentabilidade, com a inclusão em mais de 90 importantes índices. Somos, por exemplo, o único retalhista alimentar no mundo com um nível de liderança (A-) em todas as commodities associadas ao risco de desflorestação (óleo de palma, papel e madeira, carne de bovino e soja). E fomos o primeiro retalhista alimentar em Portugal, e até agora ainda o único, a calcular, divulgar e certificar de forma independente a sua pegada de desperdício alimentar. Em linha com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 12.3, temos a meta de alcançar até 2030 a redução para metade do desperdício alimentar que geramos. Sabemos que este é um desafio muito ambicioso, pelo que temos ações em curso
em todas as frentes, da produção à sensibilização dos consumidores, passando pelas nossas operações.

 

De 0 a 10, quão confiante está de que vamos atingir as metas para a década? Porquê?

Mais importante do que o nível da minha confiança nos resultados é a profundidade do nosso empenho no processo. As metas que a Europa se auto-impôs são de uma enorme ambição e traduzem bem o sentido de urgência e de compromisso que existem. Vejo sinais claros de mobilização por parte das nações, do sector privado e da sociedade civil no sentido de coletivamente se organizarem para fazer face a desafios comuns. Por exemplo, nos casos do combate à pandemia, da redução do desperdício alimentar, da luta contra a pobreza extrema e a fome, da promoção de melhores condições sociais e ambientais em toda a cadeia de valor, e da redução das emissões de gases de estufa.
Há sinais de mudança e isso deve dar-nos esperança. Mas vivemos uma situação de emergência climática e é preciso que os líderes mundiais trabalhem juntos se quisermos efetivamente conter o aumento da temperatura global em 1,5ºC. O Presidente da Rússia já fez saber que não estará presente em Glasgow no Cop 26, o que é um sinal preocupante. Estou muito expectante com o que poderá sair deste grande encontro. Temos muitos desafios pela frente e é importantíssimo que sejam criados os mecanismos que facilitem esta transição, especialmente nas pequenas e médias empresas que, por exemplo, só em Portugal e em número, representam 99% do tecido empresarial.

Partilhe este artigo

Links relacionados

+ Notícias

Leia as notícias online. Por um desenvolvimento sustentável.