Os desafios da década 2030 – REN
28 Out 2021

Entrevista a Rodrigo Costa Presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da REN

 

Quais considera que ser as prioridades da década em termos de sustentabilidade?

A prioridade absoluta é transformar o mundo em que vivemos hoje num mundo mais equilibrado e sustentável. A situação atual é dramática e a estratégia de mudança exige melhorias rápidas.
As emissões de carbono têm de ser reduzidas para atingir a neutralidade climática e para isso é preciso um esforço global e bem coordenado.
A transição energética não é apenas aumentar a produção de energias renováveis. Estamos a falar de mudar a forma como o mundo funciona: os transportes de pessoas e mercadorias, as indústrias, a forma como nos alimentamos, cultivamos os campos, gerimos todo o nosso dia a dia.
Estamos ainda no início dum processo extramente difícil, em que muitos dos efeitos imediatos são negativos e os benefícios não se sentem. Os preços da energia, os investimentos requeridos, as tecnologias que estão ainda em fase de desenvolvimento e teste, a iniquidade entre nações e os dramas que algumas zonas do globo vivem são motivos de alerta importantíssimos e não podem ser ignorados.
Portugal tem feito um bom caminho em matéria de transição energética, mas apesar do sistema elétrico nacional ser bastante fiável e resiliente, com uma geração renovável que este ano tem assegurado 61% da produção, será necessário um complemento num futuro próximo. Uma opção será a injeção de gases de origem renovável, como o hidrogénio, nas redes de gás natural.
Nesse sentido, a modernização das infraestruturas de modo a torná-las mais eficientes e sustentáveis, é um passo que tem de ser dado, baseado principalmente no desenvolvimento tecnológico, na investigação e na inovação.

 

O que está a sua empresa a fazer, ou planeia fazer, para ser mais sustentável nos próximos anos?

Em maio deste ano, apresentámos o nosso Plano Estratégico até 2024, e reforçámos de forma clara a nossa aposta na área de ESG (Ambiente, Sustentabilidade e Governo Societário).
Sem pôr em causa a solidez financeira e o desempenho operacional da empresa, apresentámos nesta área um novo compromisso claro e com métricas ambiciosas.
Vamos, até 2030, cortar as nossas emissões em 50%, sendo que pretendemos atingir a neutralidade carbónica em 2040, 10 anos antes da meta anunciada pela União Europeia.
Até 2024, planeamos investir 900 milhões de euros em infraestruturas que estão associadas a projetos chave para a transição para uma energia verde. Temos ainda o objetivo de que todo o financiamento seja proveniente de emissões verdes ou sustentáveis. Em abril deste ano, fizemos a nossa primeira emissão de obrigações verdes, em que colocámos 300 milhões de euros e tivemos uma procura cinco vezes superior à oferta. Um sinal de que os investidores confiam na REN e na capacidade de alinharmos as nossas estratégias nas vertentes financeira e de sustentabilidade.

 

De 0 a 10, quão confiante está de que vamos atingir as metas para a década? Porquê?

Vamo-nos empenhar em absoluto para atingir todas as metas. O trabalho que temos feito ao longo dos anos, aliado à aceleração do processo de digitalização, a aposta no crescimento da geração renovável e o estudo das potencialidades abertas pela utilização do hidrogénio, fazem-me acreditar que vamos conseguir atingir metas dentro dos prazos.
Vamos manter e reforçar a nossa aposta em projetos de eco-inovação, nas energias renováveis e na investigação em geral na área das energias, áreas em que a REN é dos principais intervenientes no nosso país, e que desempenham um papel crucial no nosso futuro.
Agora, é importante que toda a sociedade ganhe consciência de tudo o que temos de fazer nos próximos anos – e é muito. E essa consciência ainda tem de ser criada, tem de ser explicado às pessoas que elas só têm a ganhar em tornarmos a nossa sociedade mais verde, a nossa economia mais sustentável. É um processo que todos os países estão a atravessar e só vejo vantagens competitivas para nós, enquanto país, se formos dos mais rápidos a adaptarmo-nos e a conseguir transformar a nossa economia.
Mas acredito que Portugal e os portugueses saberão abraçar um dos maiores desafios que enfrentamos, e que vamos conseguir cumprir com as metas definidas quer pelo Governo, através do PNEC 2030, quer pela UE.

 

 

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