Os desafios da década 2030 – SONAE
15 Nov 2021

Entrevista a Isabel Barros, Vice-Presidente do BCSD Portugal, Executive Board Member – Sonae MC, Presidente do Grupo Consultivo de Sustentabilidade do Grupo de Empresas Sonae e Presidente de Direção da APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição

Quais considera que ser as prioridades da década em termos de sustentabilidade?

As Nações Unidas e União Europeia têm estabelecido metas e objetivos muito concretos em termos de sustentabilidade. E os governos nacionais têm feito um esforço para criar um ambiente legislativo que reflita a ambição desses objetivos. Mas o processo é complexo e multidimensional, pois necessitamos de conciliar uma transição para uma economia neutra em carbono, dentro dos limites do planeta de forma justa e segura, assegurando a resiliência das comunidades. Uma transformação que requer mudança de políticas de estado, de estratégias empresariais e comportamentos individuais. Uma mudança mais profunda de mentalidades e absolutamente transversal à sociedade.
A grande prioridade da década é esta mudança concertada. É tornar a sustentabilidade, ambiental e social, como peça central de tudo o que projetamos e fazemos enquanto empresas ou sociedade.

 

O que está a sua empresa a fazer, ou planeia fazer, para ser mais sustentável nos próximos anos?

O compromisso da SONAE com a sustentabilidade é de longo prazo. E começou há vários anos, quando a expressão “sustentabilidade” ainda era rara nos discursos. Dos projetos pioneiros ao nível da promoção da ecoeficiência das nossas operações , iniciados pelo Engenheiro Belmiro de Azevedo, à adesão ao WBCSD ainda em 1995, passando pela participação na criação do BCSD Portugal em 2001, são alguns dos exemplos desta nossa preocupação.
E uma das mais importantes alterações que fizemos foi incorporar a sustentabilidade no dia-a-dia da gestão do grupo. Fizemo-lo estabelecendo um órgão que reúne a Administração e os principais responsáveis pelo desenvolvimento de projetos positivos para o planeta e para as pessoas, nos vários negócios: o Grupo Consultivo de Sustentabilidade. Deste emanam as políticas a adotar por toda a Sonae, em cinco eixos, num desenho que espelha claramente a preocupação holística do grupo: Natureza e Biodiversidade; CO2 e Alterações Climáticas; Plástico; Desigualdade e Desenvolvimento Inclusivo; e Apoio à Comunidade.
Destaco ainda a subscrição do Paris Pledge for Action, o estabelecimento do objetivo da neutralidade carbónica das nossas operações já em 2040, ou a ambição de aumentar o número de mulheres em cargos de liderança. Decisões que foram muito para além do quadro legislativo e que já se traduziram em resultados concretos: um compromisso de redução de 54% das emissões próprias até 2030, e na presença de 36% de mulheres em cargos de liderança na Sonae.

 

De 0 a 10, quão confiante está de que vamos atingir as metas para a década? Porquê?

O processo de resgatar o futuro das próximas gerações não termina em 2030 ou 2050. As metas para a década são objetivos “políticos”. Importantes, mas aspiracionais no sentido que só podem ser atingidos se todos, enquanto sociedade, fizermos a nossa parte. Só conseguiremos atingir as metas definidas, estabelecendo objetivos concretos e palpáveis para cada um de nós. E só os conseguiremos atingir com uma mudança real de comportamentos individuais e coletivos que coloque a sustentabilidade, social, ambiental e económica, no centro do nosso quotidiano, enquanto país, empresas ou indivíduos.
Não falo apenas da neutralidade carbónica, mas das iniciativas relacionadas com a proteção e restauro da natureza e da biodiversidade, no trabalho enquanto empregador para a redução das desigualdades ou no contributo para a capacitação das comunidades em que estamos presentes, para a erradicação da pobreza. Repare que todos estes eixos representam Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. E é assim que gostamos de pensar e gostamos de agir. A SONAE vai fazer a sua parte.

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