Os desafios da década 2030 – Trivalor
28 Out 2021

Entrevista a Joaquim Cabaço, Presidente Trivalor

 

Quais considera ser as prioridades da década em termos de sustentabilidade?

As prioridades da década que colocamos no topo das nossas preocupações, estão relacionadas com a emergência climática e o aquecimento global, a ameaça à biodiversidade e a degradação dos ecossistemas, a defesa da água e da sustentabilidade do seu abastecimento, a promoção da saúde e as questões do desenvolvimento económico com vista a um maior bem estar social.

Atribuímos uma especial importância aos temas relacionados com a energia, desde a sua produção ao consumo, estando no nosso caso particularmente atentos à transição a verificar-se nos próximos anos para uma economia cada vez menos dependente das fontes fósseis.
É nossa preocupação especial, por outro lado, a questão da alimentação, tomando em conta a necessidade de alterar modelos alimentares que recorrem ainda em excesso ao consumo de proteína, pugnando pela maior representatividade de frutas e legumes nas nossas ofertas alimentares, e dedicando uma especial atenção ao combate ao desperdício alimentar e à redução dos resíduos. Temos um forte compromisso em reduzir a nossa pegada carbónica.

 

O que está a sua empresa a fazer, ou planeia fazer, para ser mais sustentável nos próximos anos?

Estamos com as nossas empresas participadas a construir os Road Maps que acolhem os objetivos e metas a que nos propomos, para alcançar mudanças nos anos mais próximos.
Estes roteiros acolhem os temas considerados mais relevantes, e integram as estratégias definidas e perseguidas.

Vimos estabelecendo parcerias e assumindo compromissos, que consideramos impulsionadoras de mudança, numa lógica de que o caminho não se faz sozinho, destacando por exemplo o Act4nature, para a biodiversidade, o Pacto Português para os Plásticos, a subscrição da carta de compromissos do BCSD Portugal, a integração do fórum I Gen Organizações para a igualdade, ou a mais recente adesão ao Pacto para a Gestão da Água.

Temos neste momento em curso diferentes ações com vista à concretização de objetivos de sustentabilidade, citando como exemplo a instalação de pontos de carregamento elétrico, ao mesmo tempo que começamos a integrar na nossa frota, viaturas movidas a eletricidade, ou a intervenção sobre diferentes elementos dos nossos edifícios, promovendo a melhoria da eficiência energética, incluindo a substituição das anteriores soluções de iluminação nos nossas instalações logísticas, por lâmpadas LED.

 

De 0 a 10, quão confiante está de que vamos atingir as metas para a década? Porquê?

Começo por reconhecer que a década em que nos encontramos é a mais exigente, em particular com as metas ambientais com que nos encontramos comprometidos, e que pode existir um risco sério de incumprimento, se o esforço não for assumido por todos. O desafio vai ser o de continuar a crescer economicamente para acompanhar o crescimento da população mundial e poder alcançar maior justiça social, ao mesmo tempo que se protege o ambiente e os ecossistemas e se evita a emergência climática.

Este desafio exige também alterações significativas nos nossos modos de vida, com modelos de consumo mais circulares, repensando desde o início o que se pretende produzir, recorrendo a menos consumo de materiais e encontrando formas de reutilizar, recuperar e reciclar, evitando desperdício e geração de resíduos.

Encaro o futuro com otimismo, e nesse sentido parece me poder atribuir uma nota 8 em 10, para a confiança relativa ao alcance das metas propostas para a década. A confiança no conhecimento científico parece me fundamental, e a formação e a consciencialização, indispensáveis para o sucesso.
Reconheço que são necessários maiores esforços, que o ritmo das transformações tem que ser aumentado e os compromissos mundiais têm que ser alargados.

 

 

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