Recuperação verde da economia é uma “oportunidade de negócio gigante” para as empresas portuguesas.
16 Set 2020

Num Executive Breakfast do Capital Verde, João Meneses, secretário-geral do BCSD Portugal, frisou que na próxima década Portugal terá 70 mil milhões para recuperar a sua economia.
Na visão de João Meneses, secretário-geral do BCSD Portugal, há seis grandes razões para as empresas serem mais sustentáveis, que vão desde a redução de custos, otimização das cadeias de valor, redução do custo/capital, melhor gestão do risco, diferenciação dos concorrentes perante os consumidores, até à “gigante” oportunidade de investimento e de negócio. À boleia da sustentabilidade e da recuperação verde das economias europeias, até 2027 Portugal terá então um cheque de 70 mil milhões de euros gastar durante esta década.
“Desde a adesão à União Europeia, em 1986, recebemos cerca de 100 mil milhões de euros de Bruxelas. Temos agora em apenas sete anos 70% do valor total que recebemos até hoje. Este enorme pacote financeiro terá de ser investido segundo as regras ESG (ambientais, sociais e de governance). Quão exigentes e ambiciosas serão essas regras, estaremos cá para ver. As empresas têm aqui uma oportunidade de negócio gigante. Só em subsídios europeus são 70 mil milhões”, disse João Meneses na sua intervenção enquanto keynote speaker no primeiro Executive Breakfast do ECO/Capital Verde, que juntou numa manhã de debate, em Lisboa, os parceiros fundadores do projetos.

Os CTT, a EDP, a EY, o Millennium bcp, a REN, o Santander, a Super Bock Group e a Volkswagen são as empresas que integram o grupo de Agentes de Mudança da primeira plataforma de jornalismo especializado em Economia Verde e Finanças Sustentáveis em Portugal e às quais o diretor-geral do ECO, Paulo Padrão, agradeceu o “envolvimento com este projeto desde o início, a participação ativa e o acompanhamento” que foram dando ao ECO/Capital Verde.

Para o secretário-geral do BCSD, “cada empresa tem de ser um pivô da transformação para a sustentabilidade, com benefícios económicos e não económicos”. A começar pela redução da pegada hídrica, energética, dos materiais usados, o que leva a poupanças no orçamento ao fim do mês. “Estamos a assistir a empresas que tornam mais transparentes as suas cadeias de valor e a fazer do consumo um ato de cidadania. Quando vou às compras, conheço a pegada daquele produto que vou adquirir. A sustentabilidade vai ser um fator de diferenciação positiva e competitividade cada vez maior. Não só para os consumidores mas também para os colaboradores, como fator de atração de talentos. As novas gerações não querem trabalhar para mais vendas e lucros, mas um impacto positivo com valor partilhado.“, explica.

Por outro lado, além da poupança, “o capital vai ser cada vez mais barato para empresas com menos risco e as empresas sustentáveis serão as menos arriscadas no futuro. As empresas com melhor performance em bolsa foram as que seguem critérios ESG, porque são mais resilientes para o mercado. Os investidores vão começar a cobrar um prémio de risco cada vez maior às empresas que não são sustentáveis”, defende João Meneses.

Não ser sustentável envolve riscos de colapso e de aumento de preço de matéria primas, porque são um bem finito, riscos reputacionais e riscos de operação.

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