CDP distingue EDP, Galp, CGD e Inapa pelas respostas às alterações climáticas
27 Out 2016

EDP, Galp, Caixa Geral de Depósitos e Inapa foram distinguidas pelas suas ações e estratégicas de resposta às alterações climáticas pelo CDP e pela Euronext Lisbon. A EDP – Energias de Portugal e a Galp Energia integram a “Climate A List” do CDP – ranking que inclui as empresas que obtiveram classificação “A” pela implementação de ações para responder às alterações climáticas em 2015 – e foram reconhecidas como Portuguese Climate Leaders. A Caixa Geral de Depósitos foi distinguida como “Best Voluntary Responder Portugal” e a Inapa como “Best Newcomer Portugal”. O CDP é uma organização internacional sem fins lucrativos que providencia um sistema global de medição, reporte e gestão de informação sobre o desempenho ambiental de empresas, cidades, estados e regiões a 827 investidores institucionais que gerem ativos no valor de US$100 triliões.

A distinção das quatro empresas portuguesas por parte do CDP e da Euronext Lisbon decorreu em Lisboa, num evento público que também serviu de palco ao lançamento da edição ibérica do CDP Climate Change Report 2016, relatório que analisa o reporte das principais empresas portuguesas e espanholas por capitalização bolsista – 40 portuguesas e 85 espanholas – ao nível da gestão de emissões de carbono e das ações e estratégias de resposta às alterações climáticas.

O relatório ibérico do CDP conclui que cerca de 60% das maiores empresas em Portugal e Espanha reduziram a intensidade carbónica das operações em 2016. Contudo, o total de emissões reportado pela amostra do CDP tem vindo a aumentar, pondo fim à tendência global de diminuição das emissões dos anos anteriores. O relatório conclui também que a maioria das empresas ibéricas continuam a investir em renováveis como um meio para reduzir a pegada carbónica, sendo que 78% das empresas portuguesas reportam investimentos em tecnologias de baixo carbono. Todas as empresas analisadas têm implementadas atividades de redução das emissões de carbono e quando questionadas sobre o preço voluntário de carbono, 40% referem usar este instrumento como facilitador de diversas estratégias de planeamento e contabilização e 15% reportam estar interessadas em usar este instrumento nos próximos dois anos. O relatório conclui ainda que cada vez mais empresas está a adotar critérios científicos para estabelecer objetivos de redução de emissões.

Em linha com os principais desafios resultantes das alterações climáticas e no seguimento do sucesso do Acordo de Paris, as empresas ibéricas demonstram sinais de estar nas primeiras fases de uma transformação que vai permitir separar o crescimento económico do aumento das emissões de carbono. Esta assunção deriva de diferentes aspetos:

  • As nove empresas do setor industrial – que representam 11% do total das emissões da amostra – reduziram a intensidade carbónica face às receitas;
  • As três empresas de energia – que representam 7% do total das emissões da amostra – aumentaram a intensidade carbónica em relação às receitas, mas têm vindo a reduzi-la de acordo com variáveis não financeiras;
  • No setor dos materiais – que representa 50% das emissões da amostra – tem sido observado que metade das empresas têm vindo a reduzir a intensidade carbónica face às receitas, mas, simultaneamente, demonstram aumentos quando relacionados com variáveis não financeiras.

O relatório ibérico do CDP destaca quais os processos necessários a ter em conta por todas as empresas para que o objetivo de descarbonização estabelecido no Acordo de Paris seja realmente alcançado. Outros aspetos-chave confirmam a consolidação dos esforços das empresas ibéricas no combate às alterações climáticas, nomeadamente:

1. Empresas continuam a demonstrar um grau elevado de integração das alterações climáticas nos modelos de negócio.

  • 9 em 10 empresas estabelecem incentivos ligados às alterações climáticas que envolvem também a gestão de topo;
  • Quase 90% das empresas recorrem a verificação externa das emissões de carbono;
  • Todas as empresas analisadas têm implementadas atividades de redução das emissões de carbono.


2. Objetivos de redução das emissões registaram um aumento moderado em 2016, mas ainda são inadequados para combater os efeitos negativos das alterações climáticas.

  • Todas, à exceção de três empresas, reportaram objetivos de redução de emissões para o ciclo de reporte analisado;
  • Contudo, na maioria, os objetivos são ainda inadequados e insuficientes para a magnitude dos problemas sociais e ambientais relacionados com as alterações climáticas.


3. O total de ações implementadas para a redução das emissões e os volumes de investimento aumentaram em 2016, mas ainda maioritariamente concentrados no setor das utilities.

  • As ações implementadas para a redução das emissões de carbono aumentaram em 12%, em comparação com 2015, e os volumes de investimento triplicaram para €27.254 milhões;
  • Ainda assim, deve ser tido em conta que os investimentos reportados estão muito concentrados: 94% do investimento diz respeito ao setor da eletricidade e gás e 84% do total reportado foi de uma única empresa: Iberdrola.


4. Empresas ibéricas continuam a demonstrar liderança na utilização de energias renováveis.

  • A maioria das empresas analisadas continuam a investir nas renováveis como um meio para reduzir a pegada carbónica. Em 2016, 78% das empresas portuguesas reportaram investimentos em tecnologias de baixo carbono;
  • 25% dos participantes declararam ter estabelecidos objetivos de produção e consumo de energias renováveis


5. O uso do preço do carbono como meio para facilitar estratégias de planeamento e contabilização da mitigação das alterações climáticas está a ganhar impulso.

  • 40% das empresas usam o preço do carbono como instrumento facilitador de diversas estratégias de planeamento e contabilização;
  • 15% das empresas reportaram estar interessadas em usar este instrumento nos próximos dois anos.


6. Um número cada vez maior de empresas está a adotar critérios científicos para estabelecer objetivos de redução de emissões.

  • Um pouco mais de um terço das empresas ibéricas declarou usar metodologias científicas para estabelecer os objetivos de redução de emissões de carbono, o que realça uma sofisticação crescente dos processos para determinar a abordagem mais correta à descarbonização.

A edição ibérica do CDP Climate Change Report 2016 foi redigido pelo ECODES tendo em conta a avaliação das respostas ao questionário do CDP e a análise da classificação da amostra portuguesa realizada pela PwC Portugal. O relatório foi publicado a 25 de outubro juntamente com a primeira edição do CDP Global Climate Change Tracking Series. O relatório global “Out of the starting blocks: Tracking progress on corporate climate action” é produzido em parceria com a We Mean Business e apresenta informação sobre as emissões de carbono e as ações de mitigação das alterações climáticas de 1089 empresas, revelada ao CDP a pedido de 827 investidores com ativos no valor de US$100 triliões. Estas empresas – que representam algumas das empresas mais significativas no mundo em termos de capitalização bolsista e impacte ambiental – são responsáveis por 12% do total das emissões de gases com efeito de estufa.

A distinção das quatro empresas portuguesas por parte do CDP e da Euronext Lisbon decorreu em Lisboa, num evento público que teve lugar na Euronext e co-organização do BCSD.

 

Partilhe este artigo

Links relacionados

+ Notícias

Leia as notícias online. Por um desenvolvimento sustentável.