Vantagens em abordar as alterações climáticas na estratégia de negócios
2 Abr 2015

Nos últimos séculos, o aumento do consumo de recursos naturais, o impacto da atividade humana sobre o ambiente, o desenvolvimento social e económico, o aumento da população mundial, a utilização intensiva de combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás natural, e a consequente emissão e acumulação de grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2), originaram um efeito de estufa natural que resultou e vai continuar a resultar, num aumento da temperatura média global da atmosfera. Quando conjugados, todos estes fatores provocam alterações no clima.

Um pouco por todo o mundo, as alterações climáticas têm impactado as pessoas, as empresas e os negócios. As ondas de calor têm consequências negativas na saúde. As chuvas intensas, em intervalos de tempo curtos, conduzem a cheias e inundações frequentemente. As secas mais frequentes impactam os recursos hídricos e, consequentemente, o abastecimento de água, a agricultura, a ocorrência de fogos, a biodiversidade, o turismo e a saúde. A subida do nível médio do mar tende a agravar o risco de erosão e de perda de território com consequências negativas sobre as populações costeiras e o turismo.

Para percebermos todos estes impactos, é importante recorrermos a dados da União Europeia. Entre 1980 e 2011, o custo social das inundações na União Europeia foi considerável: causaram mais de 2500 mortes e afetaram mais de 5,5 milhões de pessoas. Ao longo deste período, as perdas económicas resultantes de inundações ultrapassaram 90 mil milhões de euros. A previsão aponta para um agravamento deste valor, já que o custo anual dos danos causados por cheias fluviais está estimado em 20 mil milhões de euros na década de 2020 e em 46 mil milhões de euros na década de 2050.

No conjunto de países da União Europeia, a avaliação dos custos da não-adaptação às alterações climáticas está estimada entre 100 mil milhões de euros por ano em 2020 e 250 mil milhões de euros em 2050.

O desafio das alterações climáticas vai ser novamente abordado na The United Nations Climate Change Conference COP21, em Paris, no final do ano. O objetivo é impedir um aumento da temperatura média global de 2 graus. É desejável que o máximo de emissões de CO2 seja atingido por volta do ano de 2030, para que depois as emissões diminuam. Para atingir este objetivo é necessário o total envolvimento e compromisso dos países e das empresas. Caso isto não aconteça, a temperatura pode vir a subir três a quatro graus.

Resposta às alterações climáticas

Há dois tipos de resposta aos impactos das alterações climáticas, que devem ser vistos como complementares – a mitigação e a adaptação. No âmbito da mitigação – estratégias para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa – a recomendação de Filipe Duarte Santos, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é a não utilização das reservas de combustíveis fósseis. Os conhecimentos existentes evidenciam que, caso seja lançado para a atmosfera todo o CO2 resultante da combustão do total das reservas conhecidas de combustíveis fósseis, podemos vir a ter alterações climáticas muito violentas com aumentos da temperatura média global na ordem dos nove graus e uma subida do nível médio do mar de cerca de oito metros.

No que toca à adaptação – limitar as mudanças climáticas e os seus impactos – o Professor Filipe Duarte Santos alerta que é necessário começar por desenhar cenários climáticos futuros. Através deles, será possível avaliar os impactos em termos de recursos hídricos, biodiversidade, zonas costeiras, zonas urbanas e os impactos nos setores como a agricultura, florestas, saúde ou turismo. Conhecendo os impactos e a capacidade de adaptação, podem ser avaliadas as vulnerabilidades e, de seguida, identificadas as medidas de adaptação adequadas. Fica assim reunido o conhecimento para o desenho de uma estratégia de adaptação.

O Professor Filipe Duarte Santos, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, juntou-se ao BCSD Portugal como orador do evento “Como aumentar o contributo das empresas para o desenvolvimento sustentável: o que revela o Observatório de Sustentabilidade Empresarial?”, onde evidenciou também o trabalho que a Faculdade realizou com a EPAL e com a Associação Portuguesa de Seguradores, no sentido de fortalecer as estratégias de adaptação das empresas às alterações climáticas.

A abordagem às alterações climáticas pelas empresas começa quase sempre pela gestão de risco e proteção do crescimento dos negócios. Segundo a Goldman Sachs, abordar as alterações climáticas na estratégia de negócios trás pelo menos três vantagens: melhoria do posicionamento em relação à concorrência, desenvolvimento de novos produtos e manutenção da reputação.

Fotografias do evento

 

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