WBCSD Liaison Delegate Meeting 2022
9 May 2022

Enquadramento

À medida que as pressões ambientais e as tensões sociais se espalharam por todo o mundo, as expectativas dos mercados capitais e da contabilidade das empresas para apresentar soluções que conduzam a um mundo neutro em carbono, nature-positive e igualitário continuam a acelerar. A sustentabilidade agora é mainstream e isto significa que as empresas têm de mudar o discurso de “porquê envolver-me” para “como operacionalizar os compromissos” no que toca a estes três imperativos.

Hoje, todas as empresas têm de lidar com o seu impacto nas alterações climáticas, perda de biodiversidade e crescentes desigualdades. Os requisitos regulatórios, mudança de atitude dos consumidores, exigências dos investidores e aumento dos litígios relacionados com ESG vão acelerar a transformação de todas as empresas. Como podem as empresas manter-se no caminho certo para alcançar emissões neutras em carbono, tornarem-se nature-positive e contribuírem para uma sociedade justa, num contexto económico e político cada vez mais volátil? Como podem enriquecer os desenvolvimentos globais em torno de uma gestão e reporte de ESG enquanto se preparam para prosperar no meio de todas as mudanças que se avizinham? Durante três dias, o Liaison Delegate Meeting 2022 do WBCSD foi palco de insights inspiradores de líderes de todo o mundo e facilitou a co-criação de soluções para ajudar as empresas a enfrentar estes desafios de forma efetiva.

 

Principais conclusões das sessões plenárias:

Ação climática – Aceleração da ação: transparência do carbono

AÇÃO: As empresas devem colaborar para superar os desafios da cadeia de valor no cálculo das emissões do scope 3.

Principais resultados

  • O novo relatório do Painel Intergovernamental das Alterações Climáticas (IPCC) destaca a necessidade de redução de 43% das emissões de Gases de Efeito de Estufa (GEE) até 2030. O business as usual representa um aumento de 24%; as emissões de scope 3 representam, em média, 60% das emissões de uma empresa.
  • A complexidade das cadeias de valor modernas faz com que a colaboração seja essencial para reduzir as emissões e requer uma abordagem sistémica e holística.
  • Para impulsionar a convergência e consistência na contabilização do carbono ao nível dos produtos e nas trocas de dados é fundamental adotar necessárias metodologias de partilha.
  • A transparência é necessariamente uma ameaça à concorrência empresarial – pode impulsionar uma concorrência associada ao desempenho.

 

Ação para a natureza – Acelerar a ação: roteiros positivos para a natureza

AÇÃO: As empresas devem colaborar em todas as cadeias de valor no setor alimentar, energia e construção para apoiar estruturas de ação pela natureza

Principais resultados

  • Segundo o World Wildlife Fund (WWF), entre 1970 e 2016, o planeta perdeu uma média de 68% em espécies. Com um plano ambicioso, as empresas podem ajudar a mitigar a perda de biodiversidade, mudanças climáticas e as crescentes desigualdades.
  • Este é um desafio de sistemas: a liderança empresarial deve ser apoiada por mudanças no comportamento do consumidor, políticas, instituições financeiras, comunidade científica e sociedade civil.
  • É fundamental compreender a importância de uma “natureza positiva” para as empresas: avaliar as dependências, monitorizar o impacto, definir objetivos e metas de negócios provisórias para mostrar o progresso, a necessidade de esforços extras e identificar as oportunidades
  • A colaboração entre empresas para desenvolver roteiros, particularmente para os setores alimentar, da energia e da construção, pode dar apoio a frameworks como os Science Based Targets for Nature (SBTN) e a Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD); está a nascer um contexto regulatório para a natureza tal como já existe para o clima.

 

Ação para a equidade – Acelerar a ação: combater a desigualdade

AÇÃO: Qualquer empresa pode combater a desigualdade respeitando os direitos humanos, inovando e investindo para melhorar o acesso às oportunidades e defendendo políticas que atuem nesse sentido

Principais resultados

  • A sessão destacou três ações-chave que qualquer empresa pode abraçar para combater a desigualdade:
    • Respeitar os direitos humanos de acordo com os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos (UNGPs).
    • Inovar e investir para melhorar o acesso a produtos e serviços essenciais e para criar empregos decentes e oportunidades económicas para mais pessoas.
    • Advogar coletivamente por políticas públicas que combatam diretamente a desigualdade, através de atividades políticas, lobby e práticas fiscais para apoiar, e não impedir, a ação governamental para aumentar a equidade.
  • Para combater efetivamente a emergência climática e a perda de biodiversidade, será imperativo combater também a desigualdade. E para abordar a desigualdade como um risco sistémico e apoiar ações em escala, será fundamental alavancar o poder dos mercados de capitais.
  • Temos de garantir que temos uma agenda comum para o plano de ação das empresas, bem como os meios necessários para capturar de forma abrangente o desempenho corporativo, de forma que os investidores possam recompensar a prática de liderança para a equidade.

 

Definindo o enquadramento – Continuar no caminho da sustentabilidade

AÇÃO: Num mundo volátil, as empresas devem-se concentrar nas emissões scope 3, na desigualdade e responsabilidade e nos mercados de capitais

Principais resultados

  • As empresas podem tomar medidas relativamente à guerra na Ucrânia, saindo do mercado russo, boicotando produtos russos, condenando a guerra nas suas comunicações internas e apoiando a Ucrânia com oferta de assistência e emprego a refugiados ucranianos.
  • A segurança alimentar está de volta à ordem do dia. Por um lado, as necessidades de curto prazo passam por manter aberto o comércio global de alimentos e fertilizantes e evitar reações políticas ad hoc; por outro, o longo prazo pede a necessidade de transitar para sistemas alimentares sustentáveis ​​através da diminuição do fosso de rendimentos, investindo em energia renovável e agricultura regenerativa.
  • Os preços altos e voláteis da energia afetam os países que dependem de importações, especialmente nos mercados emergentes. A transição energética na Europa poderá acelerar e receber grandes investimentos ​​à medida que a Europa reduz a dependência do petróleo e gás russos.
  • As empresas devem ter presente que operam num mundo em que as pessoas estão a sofrer cada vez mais, pelo que as suas decisões ser tomadas para promover a diminuição da pobreza e os danos nos ecossistemas.

 

Redefinir o valor – A natureza mutável da contabilidade

Principais resultados

  • Os CFOs têm um papel vital na formação e preparação para os desenvolvimentos na regulação, dado o rigor e a disciplina necessários para preparar informações ESG úteis para investidores e credores nas suas tomadas de decisão. As empresas devem agir com urgência para estabelecer uma governance apropriada no Conselho de Administração, controlo interno e outros processos necessários para atender aos requisitos futuros.
  • De forma a fortalecer as relações de sustentabilidade empresa-investidor, seria aconselhável que as empresas não se concentrassem apenas na divulgação, mas também a comunicar o quão central deve ser a sustentabilidade numa estratégia empresarial, progredindo em direção ao relatório integrado e estabelecendo compromissos com os investidores para garantir que eles entendem o impacto da estratégia corporativa.

 

Pensamentos finais – A sustentabilidade é mainstream: destaques e sugestões

Principais resultados

  • Em resposta à guerra na Ucrânia, o Secretário-Geral da ONU formou um Grupo Global de Resposta a Crises das Nações Unidas, incluindo três task-forces com foco no setor alimentar, da energia e financeiro.
  • O WBCSD foi convidado a envolver-se com as task-forces do setor alimentar e de energia, fornecendo acesso a insights de empresas e competências analíticas, apoiando o envolvimento do setor privado e mobilizando a ação das empresas.
  • Não podemos adiar a transformação das empresas para daqui a 5 ou 10 anos. A transformação tem de acontecer agora – e juntos.
  • As empresas devem juntar-se em ações coletivas em todas as cadeias de valor para resolver os problemas relacionados com as emissões scope 3, a desigualdade e a contabilidade e os mercados de capitais.

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